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Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Nat-Bear em Qui Jun 14 2012, 13:29

Está aprendendo a enrolar comigo? kkkkkk

Li a parte 1 e 2 juntas, mas gostei mais da dois (e tem menos erros XD).
Na parte 1 teve umas descrições q pareceram meio perdidas.

Religiões nesse mundo tb são como as reais?

hmm.. orfanato é algo q vejo com frequencia em histórias... (hoje mesmo vi uma XD) pq gostam tanto de matar os pais dos personagens??? (eu faço pior!!! XD)
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Qui Jun 14 2012, 17:57

Midori escreveu:Sedoc não é uma torre ao contrário XD?

Depois eu leio o capítulo novo *-*

Mais ou menos, em questão de ter andares a analogia até é válida, mas estes não são precisamente localizados um abaixo do outro, ah alguns maiores e outros menores horizontalmente, alem de algumas câmaras serem localizadas mais longe do restante de um andar, como se tivessem sido feitas depois de já pronto xD

Nat-Bear escreveu:Está aprendendo a enrolar comigo? kkkkkk

Li a parte 1 e 2 juntas, mas gostei mais da dois (e tem menos erros XD).
Na parte 1 teve umas descrições q pareceram meio perdidas.

Religiões nesse mundo tb são como as reais?

hmm.. orfanato é algo q vejo com frequencia em histórias... (hoje mesmo vi uma XD) pq gostam tanto de matar os pais dos personagens??? (eu faço pior!!! XD)

Como o a maioria dos elementos desse universo são quase que versões alteradas do que temos no mundo real, as religiões são parecidas também. A do padre é a que mais se assemelha uma religião monoteísta, principalmente a cristã católica apostólica romana.

Tentei manter a estrutura, só que sem usar Jesus, cruzes e outras coisas que poderiam me causar algum aborrecimento vindo de pessoas mais religiosas. xD
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Sab Jun 16 2012, 23:01

Postando o 2º capítulo completo, com as modificações sugeridas. Estou esperando a inspiração para fazer a revisão do final do 3º, muito obrigado a todos que vem me ajudado a escrever esta bagaça. xD


Capitulo 2 - Um Vilarejo e uma Besta

Parte 1 -

Spoiler:
Capitulo 2 - Um Vilarejo e uma Besta - parte 1:

A estrada ao sul mostrava uma geografia ondulada de morros e vales, seria por lá que a caravana iria. O destino era um povoado mais afastado da rota de comercio da região. Esta rota cruzava Setecolinas, a cidade de onde partiram, e se estendia por todo o país e alem, era uma estrada de terra mais larga que as comuns, e sempre era sinalizada com pequenos obeliscos vermelhos a cada quinhentos metros. O trajeto foi muito tranquilo, avançavam até um local apropriado onde paravam comiam, descansavam um pouco e voltavam para a estra. A vegetação e a paisagem mostravam a transição de altitude. Gradativamente o ambiente ficando mais árido, com plantas cheias de espinhos e onde o marrom claro e o laranja eram as cores predominantes.

Durante a jornada, Angus se manteve revesando a condução da grande carroça com o barbudo Gonzalo. As outras carroças eram guiadas pelos recrutas, que só faziam o acompanhar. Estes também andavam de cavalo revezando de parada em parada. As Enfermeiras estavam na carruagem com o resto. Damon estava entre os que quase não optavam por conduzir os transportes, ele estava sempre a ler livros. Arrieref não se dava bem com os animais, sabia cavalgar bem, mas preferia ir a pé para os lugares se necessário.

- Vejamos, conheço quase todos aqui. - Falava a enfermeira Rachel. - Parece que quase todos são descuidados ao máximo, vivem na enfermaria. - Comentava enquanto sorria. - Menos o Sr. Damon, não tive que costurar ele uma vez se quer. - Comenta com gentileza.
- Ah, por favor, ele é uma pessoa que não gosta de assumir riscos, senhorita enfermeira, de nenhuma natureza aparentemente. - Debocha o veterano dos recrutas. Damon apenas responde com um olhar sério, e rapidamente volta a sua leitura. - Vai ver que todos gostam de se machucar de propósito só para ver as enfermeiras... - Brinca o veterano, cutucando Arrieref com o cotovelo.
- Então é isso que você pensa? De todos nós? Se eu fosse você ficaria preocupada com isso Rachel - Fala Arrieref. -A enfermeira retribui com um sorriso envergonhado.
- Se é que vamos encontrar com um Jotun, eu quero ver quem vai se arriscar apenas para ganhar um beijinho nas feridas. Vão acabar em pedaços. Nesse ponto, eu não tomaria riscos também. Brinca um terceiro.
- Humm, um Jotun... - Fala Arrieref enquanto se arruma para cochilar.

Dois dias se passam, e no final da tarde do ultimo, o vilarejo podia ser visto a distância, a viagem tinha se desenrolado muito bem. Era um local extremamente simples. Pouquíssimas casas eram feitas com pedra. A penas as mais afastadas, provavelmente dos donos das fazendas. Uma mata mais alta circundava o local. Mas nada muito grande. A agricultura do local deixou apenas um pouco do que era uma parte da floresta tropical que se estendia mais ao longe. A caravana foi se aproximando lentamente, e chamando a atenção de qualquer um dos moradores locais. Chegando ao centro da cidade, eles estacionaram os transportes em frente a uma estalagem. Todos desceram alguns se alongavam, se espreguiçando. Angus jogou fora a bituca de cigarro enquanto entrava na estalagem com Gonzalo o acompanhando. O local era simples ao máximo. Algumas mesas e cadeiras. Um balcão com algumas coisas para vender, que levava para uma cozinha ao fundo. Eles entram procurando por alguém.

- Então, estou procurando pelo dono... ah digo, líder do vilarejo. - Se dirigindo para uma das atendentes do lugar. Ela o aponta para uma das grandes casas perto das fazendas. Angus agradece com pressa e se dirige ao local.

Pessoas vindas do nada começavam a fazer perguntas aos recrutas. Eles provavelmente já estavam esperando por ajuda, pareciam desesperados. Perguntavam de onde ele vinham. Perguntavam o que estava acontecendo. O que estava causando as coisas que vinham vivenciando. Vendo toda a comoção, o instrutor com pressa se dirige a concentração de pessoas e começa a falar em alto e bom som:

- Bem, peço para se acalmarem. - Enquanto sobe em uma roda da carruagem para ficar mais alto. - Somos, prestadores de serviço. Estamos aqui para tentar resolver a situação o quanto antes. Sinto não poder falar muito mais que isso no momento. Preciso falar com o representante de vocês antes de tomar qualquer ação. Então com isso, vou me dirigir a casa desse. - Fala saltando de onde está. As pessoas não se contentavam e insistiam nas perguntas. - Eu quero que vocês fiquem aqui tomando conta das carroças! - Falou ele para os recrutas. - Sr. Gonzalo, por favor. - Gesticula para que esse o acompanhe.

Os dois se dirigem a grande propriedade. Possuía uma entrada bonita, com muitas flores e arbustos ornamentais. Sem nenhuma delicadeza, o instrutor bate forte na porta. Não demora muito para uma serviçal os atender.

- Pois não Senhores? - Ela parece meio assustada com a agitação.
- Estamos aqui para ver seu patrão Srtª. é um assunto urgente. - Fala Angus entrando na casa adentro para surpresa da mulher.
- Ah... senhor, por favor... o..
- É um assunto urgente. - Repete Angus com um tom autoritário.
- Um... hum... um momento.

A mulher se vira e sai chamando o seu patrão. Ela provavelmente deveria estar no minimo apreensiva com a invasão desses estranhos. Não demora muito e desce das escadas um homem de meia idade, barrigudo, levemente grisalho e com uma barba bem feita. Ele vem reclamando com a mulher até dar de cara com os dois sujeitos próximos a porta da sua casa.

- Mas o que diab... ah, Sr. Gonzalo. Que bom que está de volta... Por que demorou? - Pergunta com um pouco de aflição na voz.
- Tive de enfrentar uma certa burocracia, principalmente para conseguir o material. - A voz do homem barbudo era grossa, muito grossa, e um tanto rouca.
- Burocracia para arrumar um bando de jagunços para caçar uma droga de um animal? - Falava ele brincando.
- Eles são muito mais do que isso. Tenha respeito com o que fala.
- Bem, estamos aqui para falar algumas coisas com o senhor. - Interrompe Angus, puxando uma folha de papel e começando a preparar um cigarro. - Para trabalharmos, quero primeiro a colaboração do senhor, da população, dos seus guardas. Ah, e por favor, peça para eles pararem de apontar essas armas para nós. - Do lado de fora havia quatro homens armados com espingardas.
- Está tudo bem. - Fala o líder, depois de uma breve pausa. O homem gesticula para os empregados baixarem as armas de fogo. - O que precisam?
- Do que eu já disse, que você, a população, e seus empregados colaborarem. Quero um tempo para nos prepararmos... e quero também discutir o pagamento.
- Ah, mas que diabos! Pagamento?! Gonzalo você disse qu..
- Meu homens vão comer e dormir bem hoje depois que o trabalho tenha sido feito. Quero todas as despesas deles pagas. Isso é um começo...
- Vocês não vão começar a trabalhar agora? - Já estava começando a ficar vermelho.
- Talvez... - responde com indiferença.
- Gonzalo, quando eu te chamei, não queria um negro me dizendo o que fazer. - Sr. Gonzalo se mantinha sério mas silencioso.
- Sr. Gonzalo é nosso assistente. O negro aqui e sua equipe são quem vão dar fim aos problemas que sua barriga e seus funcionários despreparados não conseguem... - Riscando um fósforo e acendendo o recém feito cigarro.
- Que seja. - Trancando os dentes. Parecia profundamente ofendido. - O que quer que eu fale para as pessoas?
- Bem, quero que todos fiquem dentro de suas residências. O tempo inteiro. Não quero uma viva alma andando pelas ruas. Quero que o senhor se tranque aqui. Nós faremos o nosso trabalho. Mas antes, quero um guia, alguém que sabe das coisas por aqui.
- Certo. - Ele aponta para um dos rapazes que estavam do lado de fora. - Quero meus problemas resolvidos.
- Temos um acordo Sr.... Lider. - Fala Angus saindo subitamente da residência. – Você, venha comigo. – se dirigindo ao empregado indicado. Os três vão saindo da grande propriedade e voltando para a caravana. – Então, como estão as coisas por aqui.

- Ah... muito mal, isso nunca aconteceu antes. – Fala o rapaz simples. – Digo, já tivemos ataque s da animais selvagens, mas isso está completamente errado.
- Sei como é. Sr. Gonzalo já esteve por aqui a alguns dias. Para analizar as evidências do que estamos para caçar aqui. Dês da ultima visita dele até agora aconteceu mais alguma coisa?
- Na.. quer dizer, agora não temos metade dos nossos cavalos, as vacas todas morreram. Parece que a que sobre viveu a um ataque passou alguma doença para as outr..
- Onde estão esses cadáveres?
- No curral, não tivemos o que fazer, e ninguém quer chegar perto. – Fala o rapaz mais desconfortável do que antes. – Isso é uma maldição!
- Certo... Gonzalo, quero que você queime esse curral, e você, vá ajudar ele a por fogo no lugar.
- Mas...
- Alguma pessoa ficou doente? - pergunta Angus chegando na caravana.
- Não senhor, só temos desaparecidos até o momento.
- Isso é bom, mas não podemos nos arriscar. Srª. Aline... - Procura pela enfermeira. - Srª Aline?
- O que foi Sr. Angus? - A enfermeira sai da carruagem com as malas nas mãos.
- Quero que você e a Srtª Yara procurem se ha infectados por aqui. Mande todos tomarem os remédios... se nós tivermos o bastante para dividir com eles.
- Ah, entendo. Rachel! Vamos menina! – Fala ela para a enfermeira mais jovem que estava a conversar com as outras moças do grupo.
- Você disse que uma vaca sobreviveu. Alguém viu o ataque?
- Si... Sim, se me acompanhar posso mostrar quem é.
- Muito bem. – Fala Angus arrumando seus óculos – Sr. Gonzalo, comece os preparativos, use quantos recrutas quiser para o ajudar.

Gonzalo acena com a cabeça e começa a chamar os recrutas mais fortes para a tarefa. Enquanto isso Angus ruma com o empregado até a casa da suposta testemunha. Eles chegam lá, e sem nenhuma delicadeza, o instrutor bate com violência na porta.

- Mas que porcari... – Abre após alguns segundos um homem calvo.
- Sr. Esse homem está aqui para falar com o senhor sobre a besta que o você viu atacar a vaca. – Fala com um tom mais gentil o empregado.
- Ah, sim, então ele é um dos homens que o Sr. Vilas falou que viriam. Entre.

Enquanto isso, Arrieref e o veterano estavam acompanhando tudo a distância. Eles vinham devagar.

- DeValence, você sabe que...
- Shhhh.. o Cicatriz tem bons ouvidos, quero saber o que está acontecendo – Fala o rapaz se encostando na parede embaixo de uma janela da casa simples na qual os outros dois acabaram de entrar. Ele põe a cabeça para cima, e vê o homem calvo se sentando em uma cadeira de balanço enquanto respondia as perguntas de Angus:

- ...coisa grande. Se mexia no escuro, mas dava para ver alguns detalhes. Era muito estranho, era como se tivesse uma luz fraca em alguns pontos. Pernas enormes, e fazia um som assustador. Eu nun...
- Nunca viu uma coisa assim antes. Sei como é. Bem, quero saber qual era o tamanho. Deu para se ter uma ideia?
- Ahh... era maior que um cavalo, mas passaria disso... não.. não sei bem meu filho, aconteceu tudo muito rápido.
- Humm, com que frequência os ataques ocorreram?

O dono da casa e o empregado se olharam com, hesitação o ultimo respondeu:

- Quase toda semana. Mas todos que entram nas matas acabam não voltando.
- Huhum, e essa semana, já aconteceu algum?
- Não.
- Isso é perfeito. – Sorri Angus.

Parecendo que a conversa estava acabando, Arrieref e o colega vão discretamente se afastando da casa. Não vão muito longe até darem de cara com Damon.

- Muito bem. Temos um Jotun maior que um cavalo. - Fala o veterano.
- Isso não é nenhuma novidade para mim, estava estudando, e nenhum menor que isso foi documentado. – Responde com um tom seco na voz. – Em vez de vocês dois fazerem algo útil, ficam fuçando por ai.
- Fuçando por ai... Bem, isso não é nenhuma novidade vinda do senhor, Sr. Arrierf. Recrutas. Quero vocês seguindo as ordens do Sr. Damon. – Enquanto Angus falava, o veterano olhava para Arrieref com implicância em sua expressão, esse olhava para Damon com repúdio em sua expressão.
- Sr. Damon, quero que reúna os cavalos restantes da cidade próximos aonde o Sr. Gonzalo está trabalhando.
- Vocês ouviram o instrutor. Me sigam. – Mantendo o tom seco com os companheiros enquanto parte imediatamente para o animal primeiro animal que via.
- Eu mereço. – Fala Arrieref consigo mesmo.

Todos se preparavam, seguindo as ordens de Angus e do Sr. Gonzalo. As enfermeiras voltaram depois de três horas para a caravana. Aparentemente ninguem apresentava os sintomas que estavam procurando. Já estava escuro e o céu estava encoberto por nuvens de chuva. A enorme jaula ficou sobre a base da carroça, suas rodas foram retiradas suas duas grandes portas estavam abertas. Algumas grossas estacas de madeira foram presas a suportes em suas laterais e ao chão. Ela estava apontando para a entrada da cidade. Sr. Gonzalo preparava o que estava até agora encoberto pela segunda grande caixa, na carroça que transportava os demais matérias. Uma balista de metal. Com o que parecia um Arpão de pesca metálico do tamanho de um homem. Seus mecanismos eram refinados, e possivelmente baseados na tecnologia a vapor. O barbudo de voz grossa se revelava um habil engenheiro, montava a máquina com uma velocidade e precisão impressionantes. Todas a peças e pistões encaixados com perfeição. E uma pequena fornalha na sua base já estava sendo acesa. Tudo isso em questão de minutos, a imponente arma estava pronta e funcional. Todos da caravana se reuniram em frente a balista, Angus chamava a atenção do bando:

Parte 2 -

Spoiler:
Capitulo 2 - Um Vilarejo e uma Besta - parte 2:

- Estamos quase prontos senhores - Angus desenrolava de uma capa de couro surrada uma bela lança prateada maior que sua própria estatura, parecia uma Pique, só que um pouco menor e bem adornada. A apoiando em seu ombro direito, ele continuava - quero que cada um dos recrutas estejam posicionados nos telhados dessas casas aqui. - o instrutor aponta para o alto de moradias espalhadas ao redor da jaula. - O resto de vocês sabem o que fazer. Vou iniciar a distração, caso o alvo apareça. - E apagando uma bituca de cigarro com os próprios dedos, concluía - Bem, façam seu treinamento valer a pena!

As enfermeiras se dirigiram para dentro da estalagem que estava por detrás da balista. Os recrutas se posicionaram nos improvisados pontos de observação e Angus e o Sr. Gonzalo ficaram próximos do maquinário, no alto da estalagem. Não era a melhor ideia deixar alguém posicionado na balista a princípio, era uma posição muito chamativa.

Os cavalos que sobraram, meia dúzia, estavam amarrados a uma viga de madeira fincada durante a preparação do terreno. Nenhuma luz foi permitida pelo instrutor, eles ficariam espreitando atentos, qualquer sinal de suas presenças poderia estragar uma possível aparição do alvo.

Uma, duas três horas se passaram, e apenas os sons noturnos eram ouvidos. O zunido dos mosquitos, o cricrilar dos grilos, e o vento forte soprando contra as árvores. Os moradores foram colaborativos, se mantiveram trancados dentro de suas residências. Tudo estava calmo, alguns dos cavalos já começavam a dormir até certo ponto onde, por um momento, tudo se tornou estranhamente calmo demais, e os animais subitamente começaram a ficar inquietos.

Os viajantes se alertaram. Algo estava para acontecer quando, do meio de um bocado de árvores sai uma figura assustadora. Quem avistou primeiro foi uma das moças que estavam em um telhado a noroeste da estalagem. Ela quase pulou de susto, mas felizmente se controlou. Não demorou mais do que frações de segundos para todos presenciarem o ataque. Em um piscar de olhos um cavalo foi abatido por garras negras robustas e uma selvageria descomunal. O animal foi dilacerado com tamanha força, que uma de suas patas foi arremessada ao ar, caindo em um dos telhados após o golpe.

- Mas que... p**** é essa... - Falou baixo Arrieref consigo mesmo.

O Rapaz estava com o Veterano e outro recruta em um telhado lá no lado oposto da estrada. Ele nunca havia visto uma coisa assim, na verdade nenhum dos recrutas tinha e talvez até as enfermeiras. O rapaz sentia um calafrio na espinha e muito nevrosismo a ver a criatura ao longe. Retirou seu mosquete e fez por pouco tempo a mira, e depois o guardou vendo que era desperdício atirar com uma arma daquela contra um animal daquele tamanho, em seus estudos ele aprendeu que os Jotuns tinham pele muito resistente. Então enfiou os dedos em um dos bolsos da cinta que cruzava seu peito e retirou o pequeno frasco com liquido amarelo. Poderia precisar.

O predador devorava o equino que guinchava de desespero ainda vivo, enquanto os outros presos próximos se debatiam e relinchavam com o maior terror imaginável. O velho entrevistado pelo instrutor não estava errado, a criatura era de fato maior que um cavalo. Sem preder tempo, Angus faz a mira e arremessou sua lança contra a fera com uma força anormal. A arma pontuda vai zunindo cortando o ar e a acerta em cheio. Sua ponta o perfura bem no meio das costas, penetrando a carne até ficar fincada lá quase estática. A criatura solta um alto urro, assustador, como se fosse a combinação do barulho de várias criaturas diferentes, um eco horripilante retumbou pela vila . A besta gira com violência arremessando o cadáver do cavalo em uma das casas próximas, destruindo sua entrada e instantaneamente avança em direção a Angus.

A medida que esta se aproxima, torna-se mais fácil se notar seus bizarros detalhes: Era um grande ser cinzento, com uma cabeça que lembrava vagamente um ser humano com dentes protuberantes se lançando para fora das mandíbulas pintadas de sangue. Possuía braços e pernas musculosos, que usava para correr como um quadrupede. Tinha uma pele e cabelos ralos de mesma cor muito curtos. Mas uma das características mais peculiares era que seus olhos e alguns pontos na epiderme quase escamosa, brilhavam levemente em um tom azul muito fraco. Era maior que um cavalo apoiada sobre suas quatro patas, passaria dos três metros com facilidade se erguesse-se apenas nas traseiras.

Angus se joga para a direita com velocidade, arrancando a sua arma das costas do animal da criatura enquanto essa passava perigosamente perto dele. Enquanto isso, Gonzalo manuseava a balista, fazendo a mira na criatura. Os recrutas acendiam suas tochas, pobremente iluminando os telhados e o ambiente de uma maneira geral. A fera finca suas garras posteriores contra o chão girando o corpo a alavancando conta Angus, que usa sua lança como um apoio para saltar mais alto sobre o inimigo quando este se aproxima embalado. Em pleno ar, desfere uma estocada contra as costas expostas, perfurando perto da outra recém-feita ferida. Estava cada vez mais evidente em seu jeito de mover, que o homem também não era um mero mercenário, ou coisa do tipo. Seus movimentos eram ágeis de mias, sua força era estranha para sua constituição física atlética.

A ação não foi rápida o suficiente para evitar que a besta girasse com violência o fazendo perder o equilíbrio, caindo em um rolamento. Sua lança voou longe, e instantânea mente, a fera salta contra ele, passando suas mão grossas e garras rombudas a milímetros de sua testa. Ao aterrizar, a criatura gira com força focando agora mais uma investida contra o desarmado guerreiro. Ela levanta seus grossos braços para cima fechando os punhos, os fazendo parecer dois martelos feitos de garras e couro. Quando faria o movimento para descer os braços, um alto som corta seu rugido. O arpão da balista passa de raspão em seu braço esquerdo, arrancando um grande naco de carne cinzenta. Com um espasmo de dor, ela gira o membro direito acertando Angus em cheio, o fazendo voar por alguns poucos metros mole como um boneco de pano.

Ela instintivamente olha na direção da balista, e de seu atirador. Agora não com a velocidade assustadora de antes, mas ainda sim com um manquejar veloz, ela se dirige ao instrumento, o Sr. Gonzalo não perde tempo e saca da bolsa presa ao seu tronco algumas esferas metálicas, com pavios que são acesos com uma brasa da fornalha. Ele recua um pouco arremessando três bombas do tamanho de limões, que explodem no rosto da fera. Seu urro é estrondoso. E ela sai correndo da nuvem de fumaça sem direção e se choca contra uma das casas mais simples que estava por perto, abrindo um buraco em sua frágil parede. Sobre o telhado desta, se encontrava a dupla de recrutas Arrieref e o veterano. Ambos apavorados pela inexperiência.

A criatura abre os estranhos olhos brilhantes, vendo uma família horrorizada com sua presença. Ela se levanta com rapidez espirrando com a poeira que havia levantado e na hora em que iria usar suas garras para um ataque, mais uma explosão atropela o som de seu rugido, era um mosquete disparado a queima roupa contra as costas feridas do animal, com isso ela vira para ver Arrieref já usando sua espada na mão esquerda para desferir um corte contra seu nariz. Mais um rugido bizarro, o rapaz faz um desesperado rolamento para o lado, abandonando a arma de fogo para evitar um ataque da criatura, que varre o chão cheio de escombros com suas patas. Ao menos, agora tinha desviado a atenção da descontrolada besta para si.
O recruta com rapidez se levanta para ver que o monstro estava perseguindo com aqueles olhos maliciosos fixados nele e imediatamente começa uma corrida contra sua atual posição. O recruta se joga para o lado, fazendo com que a besta desse de frente com um outro muro de pedra, dessa vez mais resistente, a machucando por mais incrível que isso pareça. Os recrutas mais próximos abriam fogo contra esta com seus rilfes, as balas acertavam nos mais diversos pontos da besta, mas não chegavam a penetrar muito mais do que sua grossa pele. Estavam ajudando, mas era quase inútil. Isto erra o que os locais teriam tendado, abrir fogo.

O rapaz não tem tempo para pensar. E salta para agarrar na borda de um telhado e sem muito esforço se puxa para cima. Olha para a balista, que estava lá a uns duzentos metros de distância com o Sr. Gonzalo prendendo mais um arpão a correntes. Ele vê Damon se aproximado também do local, Arrieref deduz por extinto que o colega iria preparar a arma para mais um disparo a tempo com a ajuda do mestre engenheiro. Ele contava com isso, só precisava chegar a linha de fogo. O teto onde está treme e com um grande estrondo, a besta destrói a metade da pequena casa, surgindo de baixo para cima, arrebentando o plano no qual o rapaz se encontrava, o lançando para fora. Manobrando o peso do corpo para cair com um desengonçado rolamento no chão, sentindo pequenos pedaços de telhado se cocarem contra sua cabeça. Sem perder tempo algum, Arrieref começa a correr com toda sua força. Um pesado pedaço do teto cai a centímetros dele, pura sorte. A criatura o persegue enquanto foge até o ponto.

Cada passo era feito com toda a força que tinha em seus músculos. Vendo Damon girando a base da balista em sua direção ele imediatamente sabia o que teria de fazer. Se jogou com toda a energia restante para frente, o fazendo deslizar de peito contra a areia seca do chão. Mais um alto disparo é efetuado no mesmo instante, e o rapaz vê o grande arco da balista se destorcer fazendo o veloz arpão passar por cima de seu corpo, a adrenalina era tamanha que a cena pareceu acontecer em um rítmo mais lento do que realmente era.

O projétil acabou por atingir um pouco abaixo do ombro direito da criatura, que quase escapava do disparo. A dor a faz tropeçar em suas próprias pernas, mas essa não desacelera, caindo com brutalidade contra o chão, deslizando todo seu peso e indo de encontro ao recruta, que se rastejava para trás, com desespero no olhar. O Sr. Gonzalo com astúcia ativa os pistões da balista, que aciona um mecanismo de tração que puxam o cabo metálico preso ao arpão com força. Este estava engenhosamente posicionado em paralelo as barras do fundo da Jaula.

A criatura é puxada, Arrieref faz alguns desesperados rolamentos para o lado, deixando o caminho até a arapuca livre. Sendo arrastada até dentro das grades. Damon não perde tempo e dá a volta e tranca as portas da jaula empurrando-a com força. Os travamentos são acoinado e ela se fecha com solidez, deixando o alvo preso em seu interior.

Parte 3 -

Spoiler:
Capitulo 2 - Um Vilarejo e uma Besta - parte 3:


Se fez um breve momento de silêncio, atrapalhado apenas com o som bizarro do cativo. Era estranho ver aquela fera presa depois de tudo que foi capaz de fazer, parecia que nem aquelas imensas barras iriam conter sua fúria. Ela até tentava se jogar contra as paredes da jaula, fazendo um grande estardalhaço, mas estas permaneciam sólidas,o metal negro cumpria seu papel. Depois disso, uma celebração mutua, os recrutas desciam dos telhados aliviados.

Aerrierf suava frio, e seus músculos tremiam. Ainda estava processando o que havia acabado de fazer. E que poderia ter acontecido se seus movimentos não tivessem sido exatamente os que foram.

- Você está bem? - A jovem enfermeira se aproximava, pronta para prestar primeiros socorros.

- Eu... eu...estou. - O rapaz percebe que, embora estivesse coberto de poeira, havia saído da frenética perseguição praticamente ileso, apenas com alguns arranhões em seus cotovelos e um corte em sua mão esquerda, que fez quando subia um telhado. Bem diferente do cavalo que foi dilacerado sem a minima chance.

- Deixa eu ver isso aqui. - ela puxa seu braço com delicadeza e pega uma pequena garrafa de antisséptico. Agora tinha percebido que o rapaz não tinha o dedo mindinho daquela mão. Era apensa um cotoco, parecia que foi cortado fora a muito tempo atrás. Sua mão tinha a pele áspera, seus dedos eram grossos, e alguns tinham as unhas machucadas, envoltas em curativos. – Seu nome... é Damião, certo?

- Ah, sim. Mas, por favor, me chame de... Dami. - Sorri sem graça. Uma gota de suor escorre por sua bochecha. Se fossem para o chamar pelo primeiro nome, preferia que esse fosse o apelido.

- Vejamos. – ela o estuda dos pés a cabeça - Espasmos, músculos rígidos, transpiração exagerada. Hum, ou você teve a maior descarga de adrenalina do século, ou tomou um “reforço” para fazer tudo que fez. - sorri gentilmente – Não se preocupe não conto para ninguém. Com ou sem poções você fez uma coisa muito corajosa... Sr. Dami.

- Huum... obrigado Rachel. Eu... eu fiz, o que tive que fazer. Eu acho.

- E de quebra, teve muita sorte, veja como acabou seu instrutor. - Ela aponta para o homem jogado no chão.

Ambos trocam sorrisos.

Depois dos rugidos assustadores, dos sons de destruição e dos guinchos dos cavalos, ouvir o júbilo dos forasteiros foi o suficiente para fazer os residentes mais corajosos botarem seus rostos para fora de suas casas. Ver aquela coisa presa, era muito satisfatório, mas nem para todos, em pouco tempo a maioria dos moradores saíram de suas casas para testemunhar as repercussões das ações dos viajantes. Os recrutas cobriam a estrutura com a longa capa de couro usada em seu trasporte.

- Pelos Antigos, Angus! Deixe de ser infantil, precisamos ver como você está. - a Sra. Aline colocava as mão na cintura enquanto criticava a atitude do instrutor.

- Eu já disse, estou bem – o homem tenta se levantar do local onde está, quando sente uma dor em seu ombro esquerdo – AAHG! M****! - ele foi deslocado quando absorveu o impacto da queda.

- Oh, mas é claro, tão bem quanto qualquer um que acaba de ter sido nocauteado por um Jotun! Você deu muita sorte! Deixe eu ver esse ombro. - ela se aproxima do homem, que com um pouco de dificuldade se punha de pé.

A enfermeira sabia precisamente o que fazer, apoiou uma das mãos no ombro do enfermo e a outra em suas costas, com jeito ela puxa o osso para seu lugar, fazendo um barulho engraçado para quem estava assistindo a cena um pouco mais de longe. Angus fez cara de dor.

- Obrigado, Sra. Aline – fuzilava ela com os olhos castanhos - agora eu preciso dispersar essa mundiça para prosseguirmos.

Ele arruma os óculos no rosto, não haviam caído muito longe, estes tinham trincado na lente esquerda. Percebendo isso, o instrutor os dobra e guarda no bolso do capote. Já fez o movimento para sair de lá quando a mulher o segurou pelo ombro machucado.

- Onde pensa que vai? Ainda não terminei com você! Vejamos... aqui doi? - cutucou a costela dele com o dedão. Angus deu uma pequena recuada com dor.

- Aha! Uma, duas... é Angus, você precisa repousar.

-Repouso quando chagarmos em casa! Sua maluca. Deixe-me trabalhar...

Com o braço direito a afasta para o lado e se dirige em direção ao resto das pessoas. No caminho acha sua brilhante lança prateada, caída no chão de terra do lugar. Angus a apanha com cuidado e usa como bastão de caminhada. Passa por entre o grupo de moradores até ficar de costas com a grnade jaula coberta.

- Bem, terminamos nosso trabalho por aqui...

- Seu trabalho?! Vocês destruíram uma casa, e danificaram várias outras! - O Sr. Villas, o líder local emergia de um grupo de pessoas. Vinha acompanhado por quatro de seus empregados armados. Sua expressão era nem um pouco amigável.

- Culpe os danos ao seu amiguinho aqui, Sr. Líder... - Angus bate em uma das barras de ferro da jaula com sua lança, a besta lá de dentro urra com fúria, fazendo todos ficarem em silêncio. - E por favor, seja mais grato aos nossos serviços.

- E para melhorar vocês ainda deixam essa droga viva? Ela devia ser abatida! Imediatamente!

- No nosso acordo eu disse que nós os livraríamos dos seus problemas, e o fizemos... Sr. Líder. A não ser que o senhor queira que eu o solte novamente, para que... hum... vossa senhoria o mate com suas próprias mãos? Que tal?

- Não me provoque negro! -Abria os braços, insinuava usar seus capangas.

- Nem o senhor a mim. Bem, veja , use a razão, tenho mais homens que você, se quiser iniciar um confronto, mataremos seus mal treinados guarda-costas e o jogaremos na jaula com a criatura. Eu poderia ser baleado, é verdade, mas te garanto que metade dos meus ainda estaria de pé. Comporte-se. - completava com indiferença.

As pessoas que assistiam a discussão se entreolham nessa hora, o Sr. Villas sempre foi o que tinha a ultima palavra no lugar, nunca alguém o desafiou dessa maneira. Principalmente um homem negro feito Angus. Ficaram curiosos para ver o que viria pela frente. O líder continuava:

- Hum, e ainda por cima me ofendem. - olha em volta por alguns segundos, o Sr. Gonzalo estava no controle da balista, mirando aquele arpão imenso em sua direção. Sem dúvidas era uma posição nada agradável para um homem de seus status - As pessoas que estavam dentro da casa que aquela Besta destruiu poderiam ter morrido! E... e você deu ordens para incendiarem o meu curral! Explique-se! - usava um lenço para enxugar o suor do rosto.

- As pessoas ficaram bem...

- Era melhor se todos os moradores tivessem ido para a igreja! - interrompe com certeza em sua voz.

-Veja bem, Deus não ajudou os moradores que morreram nas matas, e imagine o que aconteceria se a criatura por um acaso invadisse o local com todos os moradores reunidos, certamente não cairiam raios dos céus para matar o monstro... não, é melhor deixar eles dispersos mesmo, se tivessem de morrer, morreriam poucos. - fala enquanto se apoia na lança, a multidão não gostou nada dessa declaração - A questão do celeiro foi pura prevenção, em sua ignorância, você não deve saber, mas seu gado foi morto por doenças que a criatura carrega com si, se alguém dessa vila tivesse as contraído caso o curral ainda estivesse de pé, estariam todos mortos em uma semana. Então... seja grato aos nossos serviços.

Sr. Villas poderia discutir com Angus a noite inteira, já estava vermelho e roçando os dentes, mas viu que alem de não entender nada da criatura, não tinha argumentos. Mesmo que tivesse, o arrogante caçador poderia o intimidar com facilidade. O líder se retirou com raiva, junto com seus empregados. Durante seu trajeto se encontrou com mais um dos seus homens, que estava avaliando os estragos do lugar.

- Seu curral está em chamas. - informa tentando ser útil.
- Eu sei – responde o líder zangado.
- Ah, bem... duas casas foram destruídas... - continuava, mesmo vendo estar agradando nada.
- Também sei... me conte uma novidade – falava enquanto enxugava um puco de suor do rosto com um lenço.
- Anhh, achamos aquela sua égua premiada senhor... - falava com evidente relutância.
- Ah, maravilha! Ao menos uma notícia boa nessa noite! Onde ela está? - Se Villas tinha orgulho por algo, era pelo seu belo animal.
- Bem...
- Vamos homem! Desembuche!
- Ahh... metade dela está na frente daquela casa ali senhor... não achamos o resto ainda...

O líder não fala nada, apenas abaixa a cabeça e põe as mãos no rosto se dirigindo para sua casa.

O resto da noite foi de festa. Salvo alguns gurnidos da fera o clima foi ótimo. Os viajantes comiam e bebiam, se encontravam na estalagem do lugar, alguns já saiam para dormir, outros ainda estavam nas mesas. Tinha aqueles que tomavam cerveja, o veterano Heitor era uma desses. Já tinha bebido umas cinco canecas, e com isso, subia em sua cadeira com a bebida na mão.

- Eu sho gostaria de dizer, que eu amo todos vocês! Voshes são o grupo de recrutas mais lindo em que eu estive! - falava entre um soluço e outro – Depois de cinco anos, cinco longos anos! Vou poder me tornar um oficial... viva! - e levantava a caneca para um brinde, derramando quase metade se seu conteúdo no movimento.

Os demais brindaram, era sempre engraçado ver ele naquela situação. O veterano tinha fama de beberrão, e de fazer palhaçadas quando estava alcoolizado. Mesmo assim, ainda conseguia se portar como uma boa pessoa, era incrível. O veterano continuava com o desajeitado discurso:

- E, não nosh daum podemos nos esquecer... ninguém se machucou.. tirando – fazia uma pausa para pescar palavras, franzia a testa – ohs crápula do Angus! - todos comemoraram com mais animo ainda. Não ficou muito claro se festejavam por que de fato ninguém se feriu gravemente ou se foi por que gostaram de ouvir o insulto ao instrutor. Com certeza esse ouviu lá de fora - Ah! Não nohs esqueçamos, de quem deu um espetásculo hoje! Cadê aquele desgraçado? - procurava pela pessoa – Ai está! Mai um brinde! Pra nosso companheiro, Dami DesValence! Para ele, se sua loucura de se jogar contra uma porcaria de um Jotum meus amigos! - ria com alegria como se não houvesse um amanhã.

Aerrierf se encontrava em uma mesa mais afastada, o rapaz levanta sua caneca um pouco envergonhado. A entorna com vontade. Estava com uma jarra d'agua ao seu lado, bebendo com muita sede. Parecia ter saído de um deserto.

O Rapaz vira para o lado e vê que a enfermeira Rachel estava na mesa atrás da dele, com sua mentora, a Sra. Aline. “Como não percebi ela ai antes?” Pensou. Ele afastou cadeira que estava sentado um pouco, para poder girar o tronco. Queria iniciar a uma conversa com a moça, mas não tinha o que falar. Ele olha para a ela, e vê o amigo bêbado ao fundo, e devota para ela. Falou a primeira coisa que veio a cabeça:

-Você não bebe enfermeira? - perguntava enquanto enchia sua caneca com água.

- A, eu... não em situações como essas... é um tanto, antiprofissional. - responde sorrindo e apontando com os olhos para o veterano e o papelão que ele ainda estava fazendo.

- Humm... entendo. - botava a caneca na boca para mais um gole.

- E você, recruta? Por que não está enchendo a cara feito o seu amigo? Sempre me pareceu do tipo baderneiro. - brinca descontraída.

- Ah, é verdade? Pareço ser esse tipo de gente? - entorna mais uma caneca – Humm, eu não bebo, ah... por que geralmente fico muito violento... é é um tanto, antiprofissional. - sorri.

- Entendo, e essa água? - baixa o tom da voz – Desidratação, garganta seca, efeito colateral da poção?

- Huh, não sei. Provavelmente, ao menos essa não me deixou quase morto após meia hora... - balançava a cabeça com indignação ao se lembrar pelo que havia passado.

- Quem as prepara? - parecia realmente interessada agora, a luz das velas realçava o brilho dos seus olhos azuis.

- Ah, é um amigo meu, o Láu... ah, Laurence Giovane... sujeito pálido, vive no quinto andar. Usa o mesmo tipo de óculos ridículo do Cicatriz.

- Sei quem é. - mentia, tentando associar a descrição a algum conhecido - tentando fazer algo novo e te usando como cobaia?

- Ele sempre teve um que de, cientista maluco... mas é gente boa. Foi a primeira amizade que fiz quando cheguei no Sedoc. Sabe – colocava a caneca em sua mesa, puxando a cadeira mais para perto da enfermeira - foi meio difícil para eu me adaptar as coisa e.... ahm... Rachel, como foi que você se juntou ao Sedoc?

- A, foi por causa dos meus pais, meu pai já era um Aesir, ele veio de Nortglast, como um reforço para o Sedoc a uns trinta anos atrás. - complementava a explicação gesticulando, era uma mania dela - ele se apaixonou por uma nativa daqui de Liverith, e eles tiveram a mim como única filha. Por sorte, eu nasci como uma Aesir, e desde pequena fui estudando nossa história e tradições, para mim, me tornar membro oficial não foi nenhum choque...

A conversa entre os dois foi demorada e divertida, mas por fim se retiraram para a o improvisado acampamento feito próximo ao local, Rachel foi para dentro da carruagem, onde as mulheres dormiam, não era nada confortável, mas a Sra. Aline exigia privacidade para elas. Os homens dormiam no chão mesmo.

Não demorou muito para o sol nascer. A caravana foi se organizando para a partida, a pior parte foi arrumar a carroça que transportaria a criatura. Mas deram um jeito. Agora fariam um trajeto mais longo, e menos movimentado, não queriam andar por ai com aquela coisa dentro da grande jaula fazendo escândalo e atraindo atenção desnecessária.

Capítulo 2 – fim.

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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Midori em Dom Jun 17 2012, 20:37

É isso aí, JP... Preciso ler o capítulo anterior ainda D: ...

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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Dom Jun 17 2012, 22:57

Capítulo 3 - A Calmaria - parte 3

A cerimônia de passagem dos recrutas seria no salão comunal, e perto da hora bastante gente já se encontrava por lá. Não chegavam a atingir a capacidade total do lugar, já que muitos estavam fora, viajando ou até trabalhando no dentro do próprio Sedoc, mas em outras áreas e andares. 

Não era obrigatório comparecer, mas alguns estavam curiosos para ver os novos membros oficiais, nem todo mundo se conhecia lá, principalmente quando se diz respeito dos novatos em relação aos que já eram mais antigos. Outros só estavam ali por que era a hora da janta e de quebra comeriam mais do que o ensopado de sempre se ficassem para assistir ao evento. O cheiro bom de carne assando no fogo dava para ser sentido em todo o primeiro andar. Os bancos já estavam com barris de vinho e cerveja prontos para serem consumidos e várias generosas canecas de meio litro.

No fundo do salão, de costas para a parede rochosa que dava para a cozinha, um conjunto de belas cadeiras de madeira de lei juntas a uma longa mesa enfeitada ficavam em uma parte mais elevada do nível geral do cômodo. Angus lá se encontrava posicionado em um desses acentos, no primeiro da direita, pontual como sempre e bebendo uma taça de vinho tinto enquanto analisava o movimento do local com uma expressão neutra, aparentemente sua condição de saúde já estava bem melhor, levando em conta que sofreu algumas injúrias durante a viagem . Ele realmente não queria, mas eram os “seus” recrutas que seriam homenageados em breve, tinha de estar presente mesmo contra sua vontade, eram as regras.

Laurence Giovane estava sentado em uma das mesas próximas a entrada, afastado de todo o resto que tentavam se localizar o mais próximo possível da cozinha e dos pratos cheios de comida que de lá iriam sair. O sujeito loiro e de pele empalidecida arrumava seus óculos de hastes circulares enquanto lia calmamente a um livro a luz das velas de um dos candelabros que iluminavam todo o local. Não era difícil o discernir da multidão, parte por seus traços étnicos que eram relativamente incomuns a região e principalmente por que ele simplesmente evitava a aglomerações, era bastante reservado. Foi assim que Aerrierf logo o achou ao por os pés na câmara. Parou e sentou-se bem a sua frente.

- Láu, olha todo esse pessoal... está muito cedo não acha? - parecia ter chegado com medo de se atrasar.

Laurence abaixou o livro, percebendo o amigo só quando este havia se pronunciado. Dami continuava:

- … ainda não são nem sete... por que já tem tanta gente por ai? Nós desse grupo de recrutas somos praticamente invisíveis para os membros mais antigos, por que eles se importariam de comparecer? - alem de tudo, estava um tanto nervoso.

- Hum... devem estar aqui pela comida, obviamente. - respondia com calma, de fato o cheiro da cozinha era muito bom - Então Dami... como foi de viagem? - fechava o livro e o colocava ao seu lado sobre a mesa.

O rapaz já ia o respondendo quando se lembrou de algo mais interessante para falar:

- Você não queria ter dito: “Então... como foi a poção?” - brincava com ironia no sorriso.

- É mesmo... e como foi? - se ajeitava na cadeira para ouvir mais de perto, aquilo parecia ter o despertado a curiosidade imediatamente - É verdade, nem te procurei mais cedo para saber disso...

- Funcionou muito bem... de fato fiquei mais rápido... eu... - parando para pensar mais uma vez no desastre que teria sido sua investida se não estivesse sobre os efeitos do que havia ingerido naquela noite - eu... não sei o que teria acontecido se eu não tivesse tomado aquilo quando... 

- Quando você se jogou desesperadamente contra duas toneladas e meia de monstruosidade enfurecida? 

- É o quê? Olha... Eu não... - estreitar os olhos enquanto analisava rapidamente - hanm...então você já sabe o que aconteceu?

- Ora, mais é claro... - balançava os ombros - aquele sujeito... o “veterano” - apontava para o recruta Heitor, que estava lá na frente já esperando pelo banquete junto da maioria, bebendo uma caneca de vinho - Ele contou para todo mundo como se você tivesse feito a maior manobra suicida da história. Disse que, em todos os seus anos, nunca havia visto um recruta se movendo tão rápido, “era muito desespero em uma pessoa só”, foi bem assim. - ria.

Laurence podia ser reservado mas era brincalhão e comunicativo com os mais chegados. Dami agora girou a cabeça e estreitava os olhos encarando Heitor a distância, esse distraído nem tinha notado os dois o observando e fofocando lá de trás.

- ...que engraçado... eu... olha, deixa eu explicar... eu estava no telhado da casa ao lado. Tinha gente comum prestes a morrer para aquela coisa enquanto o idiota do Cicatriz – apontava para Angus com a cabeça - estava caído do outro lado da vila. Eu não podia ficar assistindo eles virarem lanche de um Jotun. - suspirou - Eu... fiz o que tive de fazer.

- Isso é interessante. Quem diria que Angus "Lança de Prata", apanharia para um Jotun desses... - ria balançando a cabeça - E mais... quem diria, você? Salvando o dia? Todos estamos gratos e perplexos por isso... herói. - segurava risos, tentando se manter um pouco sério.

Enquanto o amigo falava, Dami enchia um pouco uma caneca que estava próxima de vinho. Tirava de seu bolso um pequeno pacote de papel do tamanho de uma moeda e o desembrulhava. Lá havia um comprimido esverdeado. Ele o pôs na boca e ingeriu com o vinho para ajudar a descer. Fez uma pequena expressão de dor ao engolir o medicamento parece que acabou descendo arranhando goela abaixo. Após isso, respondia:

- Olha lá a cachorrada Láu... - colocava a caneca de volta a mesa, engolindo seco e se preparando para contra-argumentar - eu só fiz o qu...

- Sabe o que te apelidaram por ai? Depois dessa sua façanha? - interrompia com animação.

- Ahrg... não quero nem saber. - já se preparava para o pior – Mas vai lá... Manda.

- Aerrierf... O Ponta-de-lança!

Dami parou por um instante olhando para a cara do amigo, vendo se era apenas uma pegadinha deste.

- Ponta de que? - parou para pensar mais uma vez - Quer saber... podia ter sido pior – imaginava toda a sorte de apelidos mais pejorativos que podia ter ganho. No Sedoc apelidos ficavam, e quanto mais constrangedores e criativos, por mais tempo perduravam.

- Então, voltando aos negócios... - continuava Laurence, agora se arrumando no acento, adotando uma postura ereta e fazendo uma expressão de seriedade. Parecia até que tinha virado um grande mercador e que ira negociar um valioso investimento, pigarreou antes de prosseguir - ...quer dizer que a minha fórmula funcionou como havia previsto. - olhava para os lados para ver se ninguém estava espiando a conversa - Quais os efeitos colaterais?

- Ah... nada de mais... - pensava no que a enfermeira Rachel havia observado naquele dia – transpiração excessiva, desidratação, espasmos musculares... mas eu logo fiquei bem. Deu muita sede... enfim.

Laurence o fitou nos olhos intrigado por alguns segundos antes de prosseguir:

- S...Sério? - parecia pego de surpresa.

- Ah... sim. Por que? Espera ai... - mais uma vez estreitava os olhos lendo a reação do amigo - você... esperava por efeitos colaterais bem piores! Seu desgraçado! - deu um soco na mesa, e com isso pegou um garfo que tinha próximo a mão e o brandiu na direção do amigo branquelo como se fosse uma arma perigosa arma de corte, estava indignado.

- Dami... não sei o que dizer... - nem chegou a reagira a “ameaça”, tinha alegria estampada no rosto - quer dizer... isso é muito bom! Eu... - olhava em volta mais uma vez - eu.. eu realmente preciso ir agora – falava enquanto saltava da cadeira.

- Espera ai... e a cerimônia? - Apontava para as cadeiras altas no fim do salão.

- Bem, o que eu posso dizer? Boa sorte? Realmente preciso verificar algumas coisas no “meu” laboratório, anotações... medições, aquele monte de coisas chatas... ahhhn você sabe... - já se afastava para a saída. Agora Laurence que estava ansioso. - Boa cerimônia... sócio!

- Pff... sócio... - mudava o foco do olhar para o talher que segurava, não sabia muito bem por que tinha feito aquilo. Com a visão periférica, via algo a mais sobre a mesa.

Laurence havia deixado o livro que lia, Dami o pegou. Era um livro estranho. Estava todo escrito na mesma língua dos símbolos que adornavam grande parte dos rodapés do lugar. Sua capa era velha e surrada, as páginas amareladas e repletas de notas de rodapé manuscritas com a caligrafia do amigo, eles já tinham se juntado para estudar centra vez.

- Rúnico... - o rapaz apenas folheou algumas ilustrações que lá haviam, desenhos feitos a lápis de partes da anatomia de criaturas bizarras, já tinha visto algo parecido em seus próprios estudos, possivelmente Jotuns - Ah... - tomou um breve fôlego - Láu! - gritou para chamar a atenção do amigo que já cruzava o arco para outra câmara, este escutou se virando. - Seu livro... - mais uma vez não sabia muito bem o que tinha acabado de fazer, seu instinto o dizia para manter o livro e folhear um pouco mais depois da cerimônia. O amigo sempre teve um lado um tanto estranho e isso vinha o preocupando, porém ele gostava muito de absorver conhecimento, devia ter uma explicação simples para estar estudando aquele tipo de material.

- Nossa.. sim... como eu sou distraído. - voltando enquanto dava tapinhas na própria testa – Obrigado.

- Tá... toma aqui... - entregando-o intrigado.

Laurence o recolheu, colocando abaixo do braço, acenou para o amigo e saiu com pressa.

Quase no mesmo instante, dois homens entraram pelo mesmo arco. Um mancava se apoiando em uma bengala de madeira escura adornada com detalhes dourados. Era uma pessoa de meia idade. Tinha vários colares e anéis nos dedos e parecia ser bem rico pelo jeito que se trajava. Levava consigo uma bela espada curva amarrada a cintura, o desenho exótico era sem sombra de dúvidas oriental.

O outro era uma figura um tanto curiosa. Um sujeito encapuzado que vestia um grosso sobretudo branco de lã não abotoado no meio. Usava também uma máscara cinzenta adornada em alto relevo que tinha de entradas apenas os buracos dos olhos. Era impossível ver qualquer detalhe de seu rosto ou cabeça, o pescoço era encoberto por uma desbotada echarpe azul marinho, apenas as mãos estavam despidas de algum tipo vestimenta, eram fortes mas com pele muito enrugada, isso denunciava sua idade. Era um pouco mais alto que o outro.

Os dois se dirigiram para a mesa elevada no fundo do salão. Iam abrindo passagem entre alguns grupos que conversavam enquanto esperavam o início das celebrações, todos cumprimentavam a dupla com grande respeito. O mascarado ficou no acento central, o mais alto de todos. O de bengala ocupou o que estava na ponta da esquerda. Ainda faltavam três acentos, eram cinco lugares ao todo, um era da tesoureira, a Sra. Cásia Damon, o penúltimo da esquerda. Ela chegou poucos minutos depois. Os dois acentos localizados aos lados do central iriam ficar vazios. Seus donos não estariam presentes, um deles era cativo de Alexis Baltazar. Os presentes ficaram lá conversando um pouco entre si.

Vendo que já era a hora, Angus acenou para o sujeito do meio. Este sem se levantar de seu lugar, começou a falar:

- Silêncio! - em alto e bom som. Sua voz era de um homem velho, contia uma certa imponência mas era contida ao mesmo tempo, soava abafada pela máscara.

Todos que estavam lá obedeceram na mesma hora, se sentando e olhando para o sujeito com respeito, ele continuava:

- É com muito orgulho, que falo a vocês queridos amigos que o Sedoc terá a adição de sua quadragésima segunda geração de membros oficiais! - com isso, ele ficou de pé - Esses jovens a cerca de dois anos escolheram se juntar a nossa causa pelos mais variados motivos. Passaram por um rigoroso treinamento e estudo para compreenderem os nossos jeitos. - ao mesmo tempo, Angus se esticando o oferecia um papel, o velho aceitou pegando e o lendo enquanto prosseguia – Aprovados pelo nosso Cavaleiro Jarl, Imaan Angus – o cumprimentava com uma breve reverência - em uma tarefa de grande importância, provaram estarem mais do que capazes de cumprir com ordens e se portarem como legítimos Aesir. - respirou fundo - Vou agora chamá-los. - filava do papel, lá estava o nome dos recrutas – Anabel M. Tavas...

E então uma das duas moças que treinavam junto com outros recrutas se levantou de um dos acentos, se dirigindo para a frente da mesa. Parecia muito contente. 

- Juliano R. Branco... Mathias Queriane... Helena R. DeFlávia... Heitor Radhanes... Damião D. Aerrierf... e por fim, Gabriel Damon. - chamando todos, ele deixava o papel na mesa e se arrumando em sua cadeira. Ficou parado por alguns segundos estudando os jovens que até a frente de sua mesa se dirigiam, estava estático como uma gárgula. Não era possível ver olhos por trás das fendas negras de sua mascara. 

Todos os recrutas estavam um do lado do outro em uma fileira. O silêncio foi rompido mais uma vez pelo senhor, que continuava:

- Depois de tanto tempo, vejo novos e promissores rostos. Sabe, sempre digo, cada adição ao Sedoc é uma adição valorosa. Não temos o privilégio de recrutar tanto quanto queremos ou gostaríamos, Nortglast não nos permite. E a eles temos de agradecer. Vocês foram escolhidos pelo potencial que cada um guarda. Os que não eram Aesir de nascença, sobreviveram ao rito de passagem e agora são. Os que já nasceram com nosso sangue, agora compreendem suas origens e propósito. Foram indicados por um exigente e experiente instrutor - Aerrierf tossia com força no fundo do salão neste momento.

O velho parava para pegar ar enquanto refletia, era um excelente orador, após a pausa continuava:

- Meus jovens, lembram-se do juramento que fizeram a alguns anos atrás quando começaram seus trinamentos? Por favor, quero ouvi-lo uma vez mais. - dava um sinal para que eles continuassem.

Os recrutas sem pestanejar recitaram em um couro improvisado:

- Servir o Sedoc. Proteger nossos irmãos. Iluminar os mundanos. Ascender em conhecimento. Preservar nossa cultura. - sabiam de cor.

- Este juramento. Estas palavras... elas foram ditas por muitas pessoas antes de vocês, pessoas brilhantes. E será dito por muitas outras no futuro. É um mantra simples, e se seguirem ele, vocês sempre serão bem vindos entre nós. Lembrem-se. - sua voz agora tinha muita alegria - Vocês agora não são mais recrutas... agora são verdadeiros Aesir! Se orgulhem disto.

E com essa deixa, todos os que assistiam as palavras do velho bradaram e aplaudiram, havia meia centena de pessoas no local. O banquete seria servido.

Dava para se escutar as comemorações até da entrada para o exterior, o primeiro andar tinha eco quando não estava muito movimentado entre os corredores. Lá o porteiro barbudo que sempre ficava sentado em uma cadeira em frente aos grossos portões de metal negro ria, fumando seu cachimbo ao escutar o discurso. Tinha uma excelente audição. Estava escuro lá, apenas umas poucas velas iluminavam o caminho, aguçando ainda mais seus sentidos. A pequena brasa que brilhava no bico do cachimbo era uma fraca evidência da presença do vigia. Sua concentração foi quebrada quando ouviu passos descompassados e gemidos se aproximando do grande lance de escadas a sua frente.

Capítulo 3 - fim.


Última edição por JP Vilela em Seg Jun 18 2012, 12:42, editado 2 vez(es)
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Nat-Bear em Seg Jun 18 2012, 10:44

Lido.

Erros de portugueees e umas descrições que ficaram um pouco confusas.
Não é cerrar os olhos naquela parte, é estreitar os olhos... cerrar é fechar e se tivessem fechados não ia dar pra cuidar de nada. Faltaram algumas virgulas e acertos de pontuação, isso é q acaba deixando um pouco confuso.
Por que é O Sedoc?qual o é termo que usam pra falar em Sedoc no masculino?

Em geral está legal, finalmente se focando em uma coisa de cada vez kkkk XD.
Em vez de velas não seria melhor lampiões?

Esse tipo de cerimonia sempre vai me lembrar Harry Potter kkkk XD. E quem iria deixar passar free food!? XD
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Midori em Seg Jun 18 2012, 10:56

Oh! Muito bom, JP! O capítulo 3.2 ficou muito bem escrito!
O português flui bem, e consegui imaginar bem a conversa do Dami com o padre!

Depois leio o capítulo 2 remasterizado (LOL) e o capítulo 3.3 ^^ (PS: arrumei o número... prestar atenção é bom de vez em quando... que burra eu XD)

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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Seg Jun 18 2012, 12:10

Nat-Bear escreveu:Lido.

Erros de portugueees e umas descrições que ficaram um pouco confusas.
Não é cerrar os olhos naquela parte, é estreitar os olhos... cerrar é fechar e se tivessem fechados não ia dar pra cuidar de nada. Faltaram algumas virgulas e acertos de pontuação, isso é q acaba deixando um pouco confuso.
Por que é O Sedoc?qual o é termo que usam pra falar em Sedoc no masculino?

Em geral está legal, finalmente se focando em uma coisa de cada vez kkkk XD.
Em vez de velas não seria melhor lampiões?

Esse tipo de cerimonia sempre vai me lembrar Harry Potter kkkk XD. E quem iria deixar passar free food!? XD


Arrumei.

Cerimônias a lá HP xDDD

O Sedoc seria por que estão se referindo ao lugar? Sempre achei que me referir a isso com um termo masculino soaria melhor. Qual o gênero que se daria a uma instalação subterrânea secreta? xD

O lance das velas é apenas para de criar um ambiente mas exótico. Já que não faria diferença trocar para lampiões... e não precisariam se preocupar com respingos de cera. Enfim, decisão estética... culpe o decorador do lugar xD
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Nat-Bear em Seg Jun 18 2012, 12:25

Eu achei q era na rua, por isso falei de lampião... Vento apaga velas.. mas se é do lado de dentro não tem problema.

Eu diria A base subterrânea. A cidade, A construção, A fortaleza (q não parece ser o caso). Mas Sedoc não engloba toda a cidade? ou é só a base ai?

Aliás, quando é cidade eu acho que o certo mesmo é dizer a cidade de....
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Midori em Seg Jun 18 2012, 12:30

Em resposta/explicando algo, "porque" é tudo junto. ^^
Passos e não paços XD!!!

Apesar dos erros dá para ver que tem melhorado muito, inclusive nessas passagens de capítulo ^^!

Parabéns, JP ^^!

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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Dom Jul 08 2012, 01:40

Capítulo 4 - A Tempestade Vindoura – parte 1

O vigia sem perder tempo deu três batidas na grande porta metálica com seu punho ossudo, as pancadas ressoaram estrutura adentro, era certamente um código de alerta. De lá saiu um homem alto trajando uma armadura leve de placas, em uma das mãos segurava um lampião a óleo, na outra uma espada larga, era um dos guardas do Sedoc.

Algo estava errado, para alguém entrar no complexo a essa hora era preciso antes se identificar lá da entrada da escadaria escondida, aqueles que não seguissem com essa regra seriam recebidos como intrusos. O vigia pegou um mosquete que tinha escorado na parede próximo a sua cadeira. Os dois se entreolharam como se já estivessem preparados para esse tipo de situação e em seguida o que segurava a arma de fogo lançou sua voz contra a escuridão da escadaria:

- Quem vem lá? - fazia mira com a arma, mesmo estando o possível invasor fora de sua linha de visão.

Demorou um pouco para qualquer tipo de resposta, apenas o som do caminhar que se aproximava cada vez mais. Uma corrente de ar havia se formado de fora para dentro da porta negra as costas do barbudo funcionário, o ar frio da noite adentrava o complexo.

Em pouco tempo uma silhueta bípede disforme era possível de ser vista se aproximando.

- A...ajuda! - respondeu com dificuldade uma voz masculina.

O porteiro forçou mais a visão e por fim conseguiu identificar a figura que se aproximava descendo pesadamente os primeiros degraus da escadaria. Por pouco tempo foi difícil, mas parecia com um dos amigos íntimos de Gregório DaRégia. Ele e seu grupo haviam partido na tarde do mesmo dia a trabalho como foram instruídos por Alexis . O jovem a quem o porteiro observava chegar carregava em seus braços uma pessoa. O porteiro abaixou a arma e acenou com a cabeça para o guarda ao seu lado, fazendo o entender que eram aliados que se aproximavam. Tomou o lampião de suas mãos e com ele apoiado firmemente a sua frente foi indo em direção ao jovem.

- Mas o q... O que aconteceu com vocês filho? - seu cachimbo ia de um lado para o outro da boca, preocupado enquanto ia chegando cada vez mais perto do sujeito que se aproximava mais e mais.

- Jotun! - falava quase sem forças. - essa simples resposta fez o velho funcionário se arrepiar na mesma hora.

O que a luz da chama do porteiro iluminou foi preocupante e ao se deparar com esta cena, acabou por deixar seu cachimbo cair no chão. O jovem que estava a sua frente encontrava-se coberto de sangue já talhado respingado por todo seu rosto, pescoço e roupas, também havia sugeria de lama em seus trajes e arranhões em seus braços. Sua testa estava ferida com um profundo corte na esquerda.

Mas isso não era o pior, a pessoa que ele carregava nos braços, outro homem nas sua mesma faixa de idade, seu companheiro de grupo, estava ferido seriamente. No braço esquerdo tinha um torniquete improvisado feito de trapos amarrados a um galho um pouco abaixo do cotovelo que tinha a pele seriamente queimada com feridas de uma coloração acinzentada. Com os olhos arregalados o porteiro continuou a acompanhar a extensão do membro do rapaz quando percebeu que a sua mão não estava ao final de seu braço, apenas um bando de ataduras improvisadas pintadas com sangue coagulado cobriam o pulso descepado. De sua barriga coberta por uma camisa rasgada e molhada, pintada de um vermelho escuro que brilhava a luz âmbar da lamparina, pingavam gotas de sangue. Mal dava para saber se o pobre homem estava vivo ou não.

Um tanto quanto catatônico com a situação, o vigia disse:

- Vamos, entre... entre, leve-o a curandeira! Rápido!
- Espere, deixe-me ajudá-lo – interferia o guarda embainhando sua lâmina e fazendo menção de carregar o enfermo.

-Não toque nele! - exaltou-se o jovem que carregava o outro, havia uma mistura de fúria e desespero em seus olhos que chegou a assustar. Ambos estavam fedendo a queimado, isso só foi possível de se notar neste ponto.

O guarda não insistiu, apenas olhou com desconfiança de volta para o porteiro que estava a coçar nervosamente sua barba recolhendo seu cachimbo que do chão, este ao se erguer, reagiu:

- Vamos filho, não... não perca tempo... - apressava-o enquanto olhava sem saber o que fazer para o guarda. De maneira alguma esperavam que isso fosse acontecer.

O jovem atravessou com dificuldades o portão, mas ao dar o primeiro passo dentro do primeiro andar, aqueles curiosos símbolos que enfeitavam os rodapés mais próximos a ele instantaneamente brilharam emitindo uma luz vermelha, o que dava um tom ainda mais sinistro a situação. Estes entalhados desenhos se faziam presentes em todos os corredores e câmaras do complexo. O rapaz parou por um instante observando-os sem expressão. O guarda que estava mais próximo alarmou-se ainda mais exclamando:

- Mas o que diabos isso significa?! - e como um raio, voltou a sacar sua lâmina contra o rapaz que carregava o enfermo, que agora o ignorava observando fixamente as figuras brilhantes.

O senhor barbudo pensou rapidamente, enquanto segurava o braço que empunhava a espada do companheiro assustado e o censurando disse:

- Os ferimentos desses jovens... estão contaminados, sua besta-fera! Por isso as runas de alerta foram ativadas! - respondia impaciente, em seguida gesticulou para o rapaz a andar mais depressa corredor adentro. - Não deixe esse nervosismo te levar a fazer besteiras com os nossos!

O guarda fitou-o de volta com desaprovação, aquilo era errado, mas a explicação do senhor chegava a fazer um sentido no meio dessa cena angustiante.

Enquanto o machucado rapaz adentrava, os rodapés tornavam-se brilhantes a medida que avançava em direção a enfermaria, os corredores estavam desertos, muita gente estava no salão comunal se entretendo na comemoração do recrutas. Seria difícil trombar com outros membros que não os que estavam de guarda em locais chave do complexo.

- Filho... o que aconteceu com o Capitão Gregório? - o vigia entregava a tocha e sua arma para mais um desses guardas que apareceu por causa do alarde.

Assim que este chegou, deu uma boa olhada no enfermo desacordado que estava sendo carregado.

- Matou a criatura... - manita seu olhar fixo nos símbolos que acompanhavam a sua passagem, parecia estar fascinado por eles - ficou para trás... tinha que ajudar os outros.

- Então estão vivos? Quantos? - continuava o vigia.

- Todos os seis... mas precisam de ajuda... estão em uma fazenda a ...... daqui. - permanecia olhando os símbolos de alerta que iam brilhando aos seus lados, estava parecendo relutante sobre o que falava.

- E seus cavalos?

- Mortos – ofegava.

Esta resposta fazia sentido. É do conhecimento dos Aesir que Jotus atacavam cavalos quase que como alvos primários. Não se sabia se era por extinto ou por uma malévolo senso de inteligência que fazia com que eles eliminassem as montarias primeiro, deixando as pessoas sem sua melhor alternativa de fuga.

- Certo... - com isso o vigia voltou-se para o primeiro guarda que os acompanhava desda entrada - Ouviram ele? Precisam de ajuda! Vão logo! - empurrando-o e olhando para o segundo que se encontrava ao seu lado indicando para este fazer o mesmo - Vão!

Os guardas o olharam com algum receio, mas prosseguiram . Chegando perto da câmara onde o primeiro deles fazia guarnição, este chamou mais seis homens bem armados que já tinham se preparado reagindo a toda essa comoção. Era lá onde ficavam caso surgissem problemas na entrada do Sedoc. Sem perder tempo, partiram escada acima em disparada.

O porteiro voltou-se novamente para o jovem, olhou para o ferimento na barriga do companheiro que este carregava e continuou:

- O que aconteceu? - remordia o bico do cachimbo de nervoso.

- Era uma coisa muito rápida... nunca tínhamos visto nada igual. - tremia enquanto falava - nós tentamos o emboscar.. mas... mas... - tentou continuar – mas... - faltavam palavras.

O vigia barbudo estava perplexo. Os "Animais" como o grupo do jovens era chamado eram dos mais eficientes combatentes de todo o Sedoc. Saber que tinham sofrido tanto para abater um Jotun deixava-o assustado, eles eram melhores que isso. Gregório era muito melhor que isso. O senhor voltou a observar os dois jovens, quando percebeu que o que carregava o mais ferido em seus braços tinha um brilhante anel prateado em seu indicador direito que reluzia contra a vermelhidão das runas. Achou aquilo estranho pois não tinha notado a joia em sua mão quando o viu na entrada, sabia que tinha boa memória e que era um bom observador, afinal era o porteiro do local e tinha que decorar características de todos que iam e vinham, mas provavelmente devido a gravidade dos ferimentos do outro companheiro, deixou esse detalhe passar despercebido.

Por fim, chegaram na entrada da Sala de Cura, a enfermaria do Sedoc. Ao abrirem a pesada porta de madeira perceberam que o lugar estava vazio, excerto por uma pessoa no fundo da câmara que estava sentada em uma cadeira, encostada sobre uma pinha de livros. Várias camas e macas se encontravam nas laterais da espaçosa câmara, que contavam com uma variada e interessante coleção de frascos com medicamentos, reagentes alquímicos e poções em suas diversas estantes e prateleiras. Ferramentas cirúrgicas como bisturis e agulhas eram cuidadosamente guardadas em caixas de vidro espalhadas sobre as mobilhas mais próximas ao centro.

- Enfermeira! - bradou o vigia ao ver a forma feminina que se encontrava ao fundo do salão.

Rachel estava fazendo o inventário dos itens da enfermaria desde que chegou de sua viagem na tarde deste mesmo dia. O inventario estava um verdadeiro caos e sua superior mandou ela trabalhar nisso. A moça tinha caído no sono a alguns minutos por estar executando a “emocionante” tarefa a tanto tempo. Acordou com um certo espanto, tinha no rosto as marcas da capa do livro de registros em relevo, com o qual cochilou com o rosto encima, quase que o usando como um travesseiro. Ao se virar deparou-se com o estado dos dois sujeitos que o senhor com cachimbo acompanhava. Não conseguia ver outra coisa alem do rapaz que vinha sendo carregado, assim que bateu seus olhos azulados nele, viu a gravidade da situação.

- Venham... ponham ele aqui nesse balcão. - derrubava as coisas que estavam sobre o móvel de madeira próximo de si.

Ela sabia que esses dois eram amigos de Gregório e com isso, bateu-lhe um arrepio pensando se ele estaria bem.

- Moça... onde estão as outras enfermeiras? - perguntava o vigia enquanto ajudava a por o ferido sobre o local. O outro rapaz sentou-se em uma das macas mais próximas.

Ela não o respondeu, concentrada verificava se o sujeito desacordado ainda estava vivo.

A enfermeira-chefe, Sra. Aline tinha se retirado aos seus aposentos algumas horas antes, tinha ido descansar da viagem. As outras cinco moças que trabalhavam no local estavam dispersas pelo Sedoc, seja na cerimônia no salão comunal, seja em seus quartos ou quaisquer outras locações. Rachel encontrava-se sozinha.

Encostando suavemente o ouvido em seu peito, a moça escutou batidas cardíacas, mas o sujeito respirava com dificuldade. Em segundos ela o estudou dos pés a cabeça, feridas em todo o corpo, queimaduras e uma mão descepada. Mas tudo isso não chegava a ser o maior problema, tinham feito um bom torniquete em seu antebraço prevenindo uma morte por sangramento vinda daquele ponto, a queimadura estava longe de comprometer seriamente sua vida. O que realmente a preocupava de imediato era o escondia-se abaixo da camisa empapada de sangue que ocultava sua barriga, ela com cuidado a removeu com suas luvas brancas.

Havia temido com razão, o que estava lá era um rasgo que saia do meio das costelas até perto da região do rim esquerdo. Um corte tão sério que em seu ponto mai profundo, no meio da barriga, era possível se ver alguns detalhes amostra dos intestinos do pobre coitado. Com seu vasto estudo de anatomia, ao menos visualizou que nenhum órgão de seu tronco havia sido fatalmente comprometido, caso contrario já estaria morto. Mas certamente o que mais contribuiu para o manter vivo até agora não era nada mais nada menos que o fato dele ser um Aesir. Seu organismo fazia com que mesmo horríveis ferimentos como aqueles coagulassem incrivelmente rápido, prevenindo uma maior perda de sangue e hemorragias internas.

A moça por fim manifestou-se enquanto amarrava seu cabelo para prosseguir com os cuidados:

- Segure-o - ordenou sem desviar o olhar do paciente para qualquer um dos outros dois que estavam ali presentes.

- Cla... claro... - reagiu prontamente o senhor que guardava seu cachimbo, aproximou-se da bancada e segurou firmemente os braços do rapaz.

Feito isso Rachel foi a uma estante e pegou um frasco com uma substância rosada. Retirou a rolha que o lacrava e aplicou encima da monstruosa feriada. Ao ter contato com a carne o liquido entrou em reação, fez um alto som, como o de quem joga água em uma brasa, seguido por uma leve fumaça. Sangue misturado a esse tal liquido escorriam pela barriga do paciente que teve um instantâneo espasmo de dor. A enfermeira com cuidado tentou arrumar a carne da ferida a modo que em seguida pudesse fechar o ferimento, esperava estar fazendo a coisa certa.

Tirou fora suas luvas para trabalhar melhor, revelando mãos delicadas com unhas bem cortadas. Precisava de precisão e mãos limpas para trabalhar. Na palma de sua mão direita havia uma tatuagem com um circulo de símbolos negros que contrastavam contra sua pele avermelhada de nativa, ela a colocou sobre a ferida e em seguida fez uma pausa.

Segundos depois um fraco brilho azulado começou a emanar do desenho, se tornando gradativamente mais intenso até se tornar tão forte que era difícil olhar diretamente para o foco, pequenas fagulhas frias de luz branca saltavam para todos os lados de maneira caótica. Esse brilho fazia alguns estalos que soavam como a madeira que queima em uma fogueira. O paciente debateu-se mais ainda até que foi se acalmando com o passar do tempo com aquela forte luz brilhando contra seu tronco. Quando o brilho cessou, a ferida não parecia mais com um selvagem rasgo, um corte bem menos sério encontrava-se em seu lugar, parecia que havia se regenerado com um passe de mágica. Os símbolos sob a palma da mão da jovem enfermeira ainda reluziam fracamente e uma pequena fumaça saia de sua pele. O vigia mesmerizado a encarava:

- Moça... o q... o quê foi isso? - esfregou os olhos, parecendo que havia visto uma miragem.
- Ah... não foi nada... apenas um truque que o Sr. Nacasiba me ensinou... - já procurava por alguma coisa dentro das gavetas de uma cômoda próxima – ...para lidarmos com pacientes nesse tipo de estado.

A enfermeira localizou uma agulha e um rolo de linha, ao passar com maestria a linha pelo buraco da agulha ela voltou ao sujeito deitado e se dirigindo ao vigia disse:

- Segure ele de novo por favor. - agora parecia bem mais calma, embora estivesse parecendo bem mais cansada também.

- Aquele velho maluco... - ria aliviado - Já vi vários tipos de Karaktertrekks, mas nenhuma com uma utilidade curativa feito essa ai – voltava a observar a mão da moça – Isso de fato é uma revolução, mal consigo acreditar no que acabei de ver filha... - novamente segurou os braços do paciente. - Aquele velho é um gênio!

- Incrível não é mesmo? - com cuidado começou a costurar a ferida, sorria gentilmente – Sabe, ele me disse, esse é o verdadeiro sentido do Sedoc, descobrir novas maneiras de lidar com os problemas de todos os Aesir. - sorria.

Com o ferimento sendo tratado daquela forma, o rapaz não corria mais tanto risco. Rachel de fato era a joia da sala de cura, uma moça brilhante no que fazia. Ela agora procurava dar um jeito nos outros ferimentos da vitima, não antes lhe aplicando um sedativo para aliviar sua dor. Optou por drogá-lo apenas agora pois queria acompanhar suas reações durante o tratamento, era importante saber se ele ainda estava com sensibilidade ou manifestaria algum tipo de resposta para que com isso, ela reagisse de acordo. Embora o paciente ainda se remexesse como se estivesse tendo um pesadelo.

O vigia agora mais tranquilo também, ajudava da maneira que podia obedecendo os pedidos a moça, tentando deixar o clima de tensão da situação mais ameno, este continuou:

- Humm... agora eu me lembro! - pigarreou - Você é a namorada do Capitão Gregório, a Srta Yara... Certo?

- Ah... isso mesmo – tinha em suas mãos um comprimido esverdeado, com cuidado fez o paciente o ingerir – espero que ele esteja bem. - voltou a ficar preocupada.

- Não se preocupe filha, o outro rapaz aqui confirmou que ele não só está bem, como matou o bicho desgraçado que fez isso com os seus companheiros. Não é mesmo ra... - olhava para trás procurando o outro jovem.

Por todos aqueles minutos os dois ficaram tão focados em prestar socorros ao que estava deitado os levaram a esquecer do outro sujeito. O vigia olhou para os quatro cantos da câmara em que estavam, mas nenhum sinal dele. Saiu para fora e olhou para ver se o encontrava no corredor mas nada. Simplesmente havia sumido.
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Midori em Ter Jul 10 2012, 12:54

Quando eu tiver um tempinho eu leio ^^

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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Nat-Bear em Sex Jul 13 2012, 02:33

Tive a impressão de que houve progresso no seu modo de escrever XD. (e eu só lembro agora de 1 erro "desda" .. é "desde a"!!

Só achei meio comprido o passeio pelo corredor, por mim o cara tinha morrido ali de tanto que enrolaram kkkkk.
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Midori em Qui Jul 19 2012, 18:03

Muito bom XD! Deu pra entender bem melhor a história e os personagens XD!

Agora é só continuar estudando português para melhorar a linguagem ^^!

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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Sab Jul 21 2012, 16:47

Nat-Bear escreveu:Tive a impressão de que houve progresso no seu modo de escrever XD. (e eu só lembro agora de 1 erro "desda" .. é "desde a"!!

Só achei meio comprido o passeio pelo corredor, por mim o cara tinha morrido ali de tanto que enrolaram kkkkk.

xD

Midori escreveu:Muito bom XD! Deu pra entender bem melhor a história e os personagens XD!

Agora é só continuar estudando português para melhorar a linguagem ^^!

A história está se expandindo xD
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Ter Out 16 2012, 10:04

Então pessoal, passei um tempo sem muito animo/preguiça para escrever, mas fiz algo xD

primeiramente, quero postar uma rápida revisão(para quem não leu a ultima parte/ ou tem saco de reler revisado xD):

Rune

Capítulo 4 - A Tempestade Vindoura – parte 1 (revisado)

Spoiler:
Capítulo 4 - A Tempestade Vindoura – parte 1

O vigia sem perder tempo deu três batidas na grande porta metálica com seu punho ossudo, as pancadas ressoaram estrutura adentro, era certamente um código de alerta. Não se demorou muito e de lá saiu um homem alto e carrancudo trajando uma armadura leve de placas, em uma das mãos segurava um lampião a óleo, na outra uma espada larga, era um dos guardas do Sedoc.

Algo estava errado. Para alguém entrar no complexo a essa hora da noite era preciso antes identificar-se lá da entrada da escadaria escondida, aqueles que não seguissem com essa regra seriam recebidos como intrusos. O vigia pegou o mosquete que tinha escorado na parede próximo a sua cadeira e virou-se para o guarda. Os dois se entreolharam como se já estivessem preparados para aquele tipo de situação e em seguida o que segurava a arma de fogo lançou sua voz contra a escuridão da escadaria:

- Quem vem lá? - fazia mira com a arma, mesmo estando o possível invasor fora de sua linha de visão.

Demorou um pouco para qualquer tipo de resposta, apenas o som pesado do caminhar que aproximava-se cada vez mais. Uma corrente de ar havia se formado de fora para dentro da porta negra que dava o definitivo acesso as instalações do Sedoc, as costas do barbudo funcionário, o ar frio da noite adentrava o complexo.

Em pouco tempo uma silhueta bípede disforme era possível ser vista se aproximando.

- A...ajuda! - respondeu com dificuldade uma voz masculina.

O porteiro forçou mais a visão e por fim conseguiu identificar a figura que se aproximava descendo pesadamente os primeiros degraus da escadaria. Por pouco tempo foi difícil, mas parecia com um dos amigos íntimos de Gregório DaRégia. Ele e seu grupo haviam partido na tarde do mesmo dia a trabalho como foram instruídos por Alexis.

- Vas... Vassan? - perguntou baixinho o porteiro a sí mesmo – Vassan Damarque? Do grupo do capitão Gregório?

O jovem a quem o porteiro observava chegar nada o respondeu, carregava em seus braços uma pessoa. O porteiro abaixou a arma e acenou com a cabeça para o guarda ao seu lado, o fazendo entender que eram aliados que se aproximavam. Tomou o lampião de suas mãos e com ele apoiado firmemente a sua frente foi indo em direção ao jovem.

- Mas o q... O que aconteceu com vocês filho? - seu cachimbo ia de um lado para o outro da boca, preocupado enquanto ia chegando cada vez mais perto do sujeito que se aproximava mais e mais.

- Jotun! - falou Vassan quase sem forças.

Essa simples resposta fez o velho funcionário se arrepiar na mesma hora. 

O que a luz da chama que o porteiro carregava por fim iluminou foi preocupante. Este acabou por deixar seu cachimbo cair da boca. O jovem que estava a sua frente encontrava-se coberto de sangue já talhado respingado por todo seu rosto, pescoço e roupas, também havia sugeria de lama em seus trajes e arranhões em seus braços. Sua testa estava ferida com um profundo corte na esquerda. 

Mas isso não era o pior, a pessoa que ele carregava nos braços, outro homem na sua mesma faixa de idade, seu companheiro de grupo, estava seriamente ferido. No braço esquerdo tinha um torniquete improvisado feito de trapos amarrados a um galho um pouco abaixo do cotovelo que tinha a pele seriamente queimada com feridas de uma coloração acinzentada. Com os olhos arregalados o porteiro continuou a acompanhar a extensão do membro do rapaz quando percebeu que a sua mão não estava ao final de seu braço, apenas um bando de ataduras improvisadas pintadas com sangue coagulado cobriam o pulso descepado. De sua barriga coberta por uma camisa rasgada e molhada, pintada de um vermelho escuro que brilhava a luz âmbar da lamparina, pingavam gotas de sangue. Mal dava para saber se o pobre homem estava vivo ou não. 

Um tanto quanto catatônico com a situação, o vigia disse:

- Vamos, entre... entre, leve-o a curandeira! Rápido! 
- Espere, deixe-me ajudá-lo – interferia o guarda embainhando sua lâmina e fazendo menção de carregar o enfermo.

-Não toque nele! - exaltou-se o jovem que carregava o outro, havia uma mistura de fúria e desespero em seus olhos que chegou a assustar. Ambos estavam fedendo a queimado, isso só foi possível de se notar neste ponto.

O guarda não insistiu, apenas olhou com desconfiança de volta para o porteiro que estava a coçar nervosamente sua barba recolhendo seu cachimbo que do chão, este ao se erguer, reagiu:

- Vamos filho, não... não perca tempo... - apressava-o enquanto olhava sem saber o que fazer para o guarda. De maneira alguma esperavam que isso fosse acontecer justo naquela noite.

O jovem atravessou com dificuldades o portão, mas ao dar o primeiro passo dentro do primeiro andar, aqueles curiosos símbolos que enfeitavam os rodapés mais próximos a ele instantaneamente brilharam emitindo uma luz vermelha, o que dava um tom ainda mais sinistro a situação. Estes entalhados desenhos faziam-se presentes em todos os corredores e câmaras do complexo. O rapaz parou por um segundo observando-os sem expressão. O guarda que estava mais próximo alarmou-se ainda mais exclamando:

- Mas o que diabos isso significa?! - e como um raio, voltou a sacar sua lâmina contra o rapaz que carregava o enfermo, que agora o ignorava observando fixamente as figuras brilhantes.

O senhor barbudo pensou rapidamente, enquanto segurava o braço que empunhava a espada do companheiro assustado e o censurando disse:

- Os ferimentos desses jovens... estão contaminados, sua besta-fera! Por isso as runas de alerta foram ativadas! - respondia impaciente, em seguida gesticulou para o rapaz a andar mais depressa corredor adentro. - Não deixe esse nervosismo te levar a fazer besteiras com os nossos!

O guarda fitou-o de volta com desaprovação, aquilo era errado, mas a explicação do senhor chegava a fazer um sentido no meio daquela cena angustiante.

Enquanto o machucado rapaz adentrava, os rodapés tornavam-se brilhantes a medida que avançava em direção a enfermaria, os corredores estavam desertos, muita gente estava no salão comunal se entretendo na comemoração do recrutas. Seria difícil trombar com outros membros que não os que estavam de guarda em locais chave do complexo.

- Filho... o que aconteceu com o Capitão Gregório? - o vigia entregava a tocha e sua arma para mais um desses guardas que apareceu por causa do alarde. 


Assim que este chegou, deu uma boa olhada no enfermo desacordado que estava sendo carregado.

- Matou a criatura... - Vassan manita seu olhar fixo nos símbolos que acompanhavam a sua passagem, parecia estar fascinado por eles - ficou para trás... tinha que ajudar os outros. 

- Então estão vivos? Quantos? - continuava o vigia.

Aquele simples trajeto até o final do longo corredor mais parecia uma eternidade para o angustiado vigia.

- Todos os seis... mas precisam de ajuda... estão em uma fazenda a ...... daqui. - permanecia olhando os símbolos de alerta que iam brilhando aos seus lados, estava parecendo relutante sobre o que falava. 

- E seus cavalos? 

- Mortos – ofegava.

Esta resposta fazia sentido. É do conhecimento dos Aesir que Jotus atacavam cavalos quase que como alvos primários. Não se sabia se era por extinto ou por uma malévolo senso de inteligência que fazia com que eles eliminassem as montarias primeiro, deixando as pessoas sem sua melhor alternativa de fuga. 

- Certo... - com isso o vigia voltou-se para o primeiro guarda que os acompanhava desda entrada - Ouviram ele? Precisam de ajuda! Vão logo! - empurrando-o e olhando para o segundo que se encontrava ao seu lado indicando para este fazer o mesmo - Vão!

Os guardas o olharam com algum receio, mas prosseguiram . Chegando perto da câmara onde o primeiro deles fazia guarnição, este chamou mais seis homens bem armados que já tinham se preparado reagindo a toda essa comoção. Era lá onde ficavam caso surgissem problemas na entrada do Sedoc. Sem perder tempo, partiram escada acima em disparada.

O porteiro voltou-se novamente para o jovem, olhou para o ferimento na barriga do companheiro que este carregava e continuou:

- O que aconteceu? - remordia o bico do cachimbo de nervoso.

- Era uma coisa muito rápida... nunca tínhamos visto nada igual. - tremia enquanto falava - nós tentamos o emboscar.. mas... mas... - tentou continuar – mas... - faltavam palavras.

O vigia barbudo estava perplexo. Os "Animais", como o grupo dos jovens era apelidados, eram dos mais eficientes combatentes de todo o Sedoc. Saber que tinham sofrido tanto para abater um Jotun deixava-o assustado, eles eram melhores do que isso. Gregório era muito melhor que isso. O senhor voltou a observar os dois jovens, quando percebeu que o que carregava o mais ferido em seus braços tinha um brilhante anel prateado em seu indicador direito que reluzia contra a vermelhidão das runas. Achou aquilo estranho pois não havia notado a joia em sua mão quando o viu na lá atrás na entrada, sabia que tinha boa memória e que era um bom observador, afinal era o porteiro do local e tinha que decorar características de todos que iam e vinham, mas provavelmente devido a gravidade dos ferimentos do outro companheiro, deixou esse detalhe passar despercebido. 

Por fim, chegaram na entrada da Sala de Cura, a enfermaria do Sedoc. Ao abrirem a pesada porta de madeira perceberam que o lugar estava vazio, excerto por uma pessoa no fundo da câmara, que encontrava-se sentada em uma cadeira, encostada sobre uma pinha de livros. Várias camas e macas se encontravam nas laterais da espaçosa câmara, que contavam com uma variada e interessante coleção de frascos com medicamentos, reagentes alquímicos e poções em suas diversas estantes e prateleiras. Ferramentas cirúrgicas como bisturis e agulhas eram cuidadosamente guardadas em caixas de vidro espalhadas sobre as mobilhas mais próximas ao centro. 

- Enfermeira! - bradou o vigia ao ver a forma feminina que se encontrava ao fundo do salão.

Rachel estava fazendo o inventário dos itens da enfermaria desde que chegou de sua viagem na tarde deste mesmo dia. O inventario estava um verdadeiro caos e sua superior a mandou trabalhar nisto. A moça tinha caído no sono a alguns minutos por estar executando a “emocionante” tarefa a tanto tempo. Acordou com um certo espanto, tinha no rosto as marcas da capa do livro de registros em relevo, com o qual cochilou com o rosto encima, quase que o usando como um travesseiro. Ao se virar deparou-se com o estado dos dois sujeitos que o senhor com cachimbo acompanhava. Não conseguia ver outra coisa alem do rapaz que vinha sendo carregado, assim que bateu seus olhos azulados nele, viu a gravidade da situação. 

- Venham... ponham ele aqui nesse balcão - derrubava as coisas que estavam sobre o móvel de madeira próximo de si.

Ela sabia que esses dois eram amigos de Gregório e com isso, bateu-lhe um arrepio pensando se ele estaria bem.

- Moça... onde estão as outras enfermeiras? - perguntava o vigia enquanto ajudava a por o ferido sobre o local. O outro rapaz sentou-se em uma das macas mais próximas.

Ela não o respondeu, concentrada verificava se o sujeito desacordado ainda estava vivo.

A enfermeira-chefe, Sra. Aline tinha retirado-se aos seus aposentos algumas horas antes, tinha ido descansar da viagem. As outras cinco moças que trabalhavam no local estavam dispersas pelo Sedoc, seja na cerimônia no salão comunal, seja em seus quartos ou quaisquer outras locações. Rachel encontrava-se sozinha.

Encostando suavemente o ouvido no peito do paciente, a moça escutou batidas cardíacas, mas o sujeito respirava com dificuldade. Em segundos ela o estudou dos pés a cabeça: feridas em todo o corpo, queimaduras e uma mão descepada. Mas tudo isso não chegava a ser o maior problema, tinham feito um bom torniquete em seu antebraço prevenindo uma morte por sangramento vinda daquele ponto, a queimadura estava longe de comprometer seriamente sua vida. O que realmente a preocupava de imediato era o escondia-se abaixo da camisa empapada de sangue que ocultava sua barriga, ela com cuidado a removeu com suas luvas brancas. 

Havia temido com razão, o que estava lá era um rasgo que saia do meio das costelas até perto da região do rim esquerdo. Um corte tão sério que em seu ponto mai profundo, no meio da barriga, era possível se ver alguns detalhes amostra dos intestinos do pobre coitado. Com seu vasto estudo de anatomia, ao menos visualizou que nenhum órgão de seu tronco havia sido fatalmente comprometido, caso contrario já estaria morto. Mas certamente o que mais contribuiu para o manter vivo até agora não era nada mais nada menos que o fato dele ser um Aesir. Seu organismo fazia com que mesmo horríveis ferimentos como aqueles coagulassem incrivelmente rápido, prevenindo uma maior perda de sangue e hemorragias internas.

A moça por fim manifestou-se enquanto amarrava seu cabelo para prosseguir com os cuidados:

- Segure-o - ordenou sem desviar o olhar do paciente para qualquer um dos outros dois que estavam ali presentes.

- Cla... claro... - reagiu prontamente o senhor que guardava seu cachimbo, aproximou-se da bancada e segurou firmemente os braços do rapaz.

Feito isso Rachel foi a uma estante e pegou um frasco com uma substância rosada. Retirou a rolha que o lacrava e aplicou encima da monstruosa feriada. Ao ter contato com a carne o liquido entrou em reação, fez um alto som, como o de quem joga água em uma brasa, seguido por uma leve fumaça. Sangue misturado a esse tal liquido escorriam pela barriga do paciente que teve um instantâneo espasmo de dor. A enfermeira com cuidado tentou arrumar a carne da ferida a modo que em seguida pudesse fechar o ferimento, esperava estar fazendo a coisa certa. 

Tirou fora suas luvas para trabalhar melhor, revelando mãos delicadas com unhas bem cortadas. Precisava de precisão e mãos limpas para trabalhar. Na palma de sua mão direita havia uma tatuagem com um circulo de símbolos negros que contrastavam contra sua pele avermelhada de nativa, ela a colocou sobre a ferida e em seguida fez uma pausa. 

Segundos depois um fraco brilho azulado começou a emanar do desenho, se tornando gradativamente mais intenso até se tornar tão forte que era difícil olhar diretamente para o foco, pequenas fagulhas frias de luz branca saltavam para todos os lados de maneira caótica. Esse brilho fazia alguns estalos que soavam como a madeira que queima em uma fogueira. O paciente debateu-se mais ainda até que foi se acalmando com o passar do tempo com aquela forte luz brilhando contra seu tronco. Quando o brilho cessou, a ferida não parecia mais com um selvagem rasgo, um corte bem menos sério encontrava-se em seu lugar, parecia que havia se regenerado com um passe de mágica. Os símbolos sob a palma da mão da jovem enfermeira ainda reluziam fracamente e uma pequena fumaça saia de sua pele. O vigia mesmerizado a encarava:

- Moça... o q... o quê foi isso? - esfregou os olhos, parecendo que havia visto uma miragem.
- Ah... não foi nada... apenas um truque que o Sr. Nacasiba me ensinou... - já procurava por alguma coisa dentro das gavetas de uma cômoda próxima – ...para lidarmos com pacientes nesse tipo de estado.

A enfermeira localizou uma agulha e um rolo de linha, ao passar com maestria a linha pelo buraco da agulha ela voltou ao sujeito deitado e se dirigindo ao vigia disse:

- Segure ele de novo por favor. - agora parecia bem mais calma, embora estivesse parecendo bem mais cansada também.

- Aquele velho maluco... - ria aliviado - Já vi vários tipos de Karaktertrekks, mas nenhuma com uma utilidade curativa feito essa ai – voltava a observar a mão da moça – Que loucura, mal consigo acreditar no que acabei de ver filha... - novamente segurou os braços do paciente. - Aquele velho é um gênio!

- Incrível não é? - com cuidado começou a costurar a ferida, sorria gentilmente – Sabe, ele me disse, esse é o verdadeiro sentido do Sedoc, descobrir novas maneiras de lidar com os problemas de todos os Aesir. - sorria.

Com o ferimento sendo tratado daquela forma, o rapaz não corria mais tanto risco. Rachel de fato era a joia da sala de cura, uma moça brilhante no que fazia. Ela agora procurava dar um jeito nos outros ferimentos da vitima, não antes lhe aplicando um sedativo para aliviar sua dor. Optou por drogá-lo apenas agora pois queria acompanhar suas reações durante o tratamento, era importante saber se ele ainda estava com sensibilidade ou manifestaria algum tipo de resposta para que com isso, ela reagisse de acordo. Embora o paciente ainda se remexesse como se estivesse tendo um pesadelo. 

O vigia agora mais tranquilo também, ajudava da maneira que podia obedecendo os pedidos a moça, tentando deixar o clima de tensão da situação mais ameno, este continuou:

- Humm... agora eu me lembro! - pigarreou - Você é a namorada do Capitão Gregório, a Srta Yara... Certo?

- Ah... isso mesmo – tinha em suas mãos um comprimido esverdeado, com cuidado fez o paciente o ingerir – espero que ele esteja bem. - voltou a ficar preocupada – por favor, me passe o frasco nego ai na estanta.

- Esse aqui? – pegou um frasco grande com um rótulo donde estava escrito a tinta “Solução de Yggdrasil A” e prestativo como foi o tempo inteiro, entregou a enfermeira que acenou com a cabeça confirmando ser o medicamento correto. Ele então continuou:

- Não se preocupe filha, o outro rapaz aqui confirmou que ele não só está bem, como matou o bicho desgraçado que fez isso com os seus companheiros. Não é mesmo ra... - olhava para trás procurando o outro jovem. 

Por todos aqueles minutos os dois ficaram tão focados em prestar socorros ao que estava deitado os levaram a esquecer do outro sujeito. O vigia olhou para os quatro cantos da câmara em que estavam, mas nenhum sinal dele. Saiu para fora e olhou para ver se o encontrava no corredor mas nada. Simplesmente havia sumido.

E agora coisa nova de fato xD

Capítulo 4 - A Tempestade Vindoura – parte 2

Spoiler:
Capítulo 4 - A Tempestade Vindoura – parte 2

Dami Aerrierf olhava para o fundo de sua caneca relutante. Respirava profundamente enquanto todos ao seu redor celebravam e comiam. O “veterano” Heitor estava ao seu lado conversando com um conhecido em voz alta, quase gritando e como era de seu feitio, já bêbado. Não demorou muito para este perceber que seu colega não estava a desfrutar do banquete, virou-se e disse:

- Qual o problema DeValence? - depois da pergunta direcionada a Dami, tomou uma golada de do saboroso vinho que estava sendo servido junto com as demais bebidas.
- Ah... nada. - respondia enquanto o olhava com o canto dos olhos sem mover a cabeça de posição – Só pensando aqui.
- Hhum, pensamentos profundos no meio de toda essa festa? - outra golada.

O rapaz não respondeu imediatamente, suspirou mais uma vez antes disso.

- Mais ou menos... - sorria, agora encarando o companheiro.
- Desembucha - e com isso Heitor acabou mais uma caneca.

Dami apontou para a mesa alta no fundo do salão. Heitor acompanhou o sentido do dedo indicador do rapaz, resultando no velho senhor vestido de branco sentado no meio da ilustre mesa que se destacava das demais.

- Nacasiba? O que tem ele? - foi logo tratando de encher novamente sua caneca com bebida.
- Anh... - suspirou novamente – Ele me prometeu algo, me dar algumas respostas sabe. Mas só depois que me tornasse um membro oficial daqui.
- Humm que chantagem... bem, não sei do que se trata... - Agitou o vinho como se fosse um fino degustador – Hehe... então é assim que o Sedoc chantageia os recruta – ria enquanto bebia - deixa de lenga-lenga, vá até ele e pergunte, ora, agora que você está no direito.
- É... - respondeu com relutância.

Dami já conhecia o jeito imprevisível daquele senhor. Não sabia como ele ira o receber após relembrar desse antigo acordo que os dois fizeram. De qualquer forma o rapaz estava querendo muito perguntar. “Isso tem que acontecer mais cedo ou mais tarde”, pensou.

Olhou nos olhos de Heitor depois se levantou dE onde estava sentado. Deu uns tapinhas nas costas do colega que o encorajou e olhou mais uma vez para a mesa alta. Abrindo caminho entre os que já estavam de pé, ele foi se aproximando do local até estar de frente com o pessoal que lá se sentava. Logo estas pessoas perceberam aquele rapaz chegando. O sujeito muito bem vestido que se sentava ao lado do tal Nacasiba foi o primeiro a o identificar e logo falou:

- Vejam se não é o tal recruta... ah... Aerrierf certo? - coçou sua barba.
- Ah... ex-recruta... senhor. - sorriu o rapaz sem jeito.
- Oh, certo. Ex-recruta a meia hora. - ria olhando para cima – Então rapaz, como foi lutar contra um Jotun pela primeira vez?

Pelo visto a participação de Dami na caçada de Angus já havia se espalhado por todo o Sedoc. E tinha tomado outros ares, já que da ultima vez ele havia ouvido que tinha fugido como uma menininha do confronto. Agora já dizem que ele lutou conta a fera. Perguntava-se como essa estória iria ficar daqui a uma semana.

- Hhumm... assustador? - não tinha muito o que dizer na verdade, apenas achou engraçado ao mesmo tempo se questionando de como aquele senhor important conseguia se lembrar de um mero novato como ele.
- Claro, claro... esses demônios também me dão arrepios... - sorria o senhor.

O falador sujeito não se trajava bem por acaso, era Radimir Valentim o vice administrador do Sedoc. Um homem rico, grande mercador e sem sombra de dívidas, um dos mais importantes contribuintes financeiros do local.

- Sr. Arrieref... - interrompia Angus, lá da ponta da mesa – a que devemos sua presença aqui na Mesa dos Principais?
- Vim falar com Nacasiba – já mudando o tom de voz para algo mais rude.

Dami teve vontade de complementar a sua resposta com um “e não se meta... desgraçado”, mas devia respeito aos outros que estavam presentes na mesa.

- Ah... é mesmo? - sem perder um segundo, o velho mascarado entrou na conversa assim que foi citado.
- Ah, sim... sim senhor. - respondia Dami.
- Então, no que posso ajudar? - Se ajeitava na cadeira, ficando mais ereto.
- Hummm.... queria falar com o senhor... ah... a sós.

O velho ficou parado no mesmos lugar por alguns segundos, não dava para dizer se ele estava encarando o rapaz, mas logo em seguida, o respondeu:

- Claro... me acompanhe. - e com isso, se levantou de sua cadeira, ajeitando suas longas vestes, era estranho, não se movia como um idoso como soava sua voz.

Dami não hesitou e logo arrodeou a grande mesa pelo lado oposto ao que Angus estava sentado e acompanhou o velho até um dos cantos do fundo do salão.

- Ah... aqui? - perguntava o rapaz, um tanto incomodado.
- Claro, qual o problema? - respondeu em tom quase inocente.
- Hhumm... nenhum... senhor. - tirando a audição absurdamente apurada de Angus.
- Bem rapaz, é um salão comunal em festa. Não tem como nossa conversa não ser abafada pelo barulho das pessoas.
- É... sim, senhor - gostaria que fosse verdade.
- Então, Damião DeValence o Ponta de Lança Aerrierf – rui - membro oficial do Sedoc, no que esse velho aqui pode o ajudar? - perguntou gentilmente – Fale de uma vez moleque! - complementou com impaciência.

O rapaz o olhou não acreditando que até ele já estava ciente desse apelido, e mais surpreso ainda pelo fato dele ter acabado de o usar.

- Hum... tá bom. - para que mais bancar o relutante? perguntou-se -Quando falaremos sobre a herança do meu pai? - indagou com um súbito frio na barriga.

- Ah, sabia que estava querendo me perguntar isso assim que começamos esta cerimônia...
- Na verdade senhor, quero saber disso dês de que pus os pés aqui... foi por isso que me juntei.
- Pois bem, assim que terminarmos as comemorações ire... - parou abruptamente.

O rapaz achou aquilo estranho, mas vindo daquele senhor com trejeitos esquisitos, poderia ser qualquer coisa. Poucos segundos levou para perceber que o salão inteiro começou a ficar silencioso. Virou-se para ver o que estava a acontecer. Do outro lado do salão, passando pela multidão que estava de pé podia se observar uma luz vermelha emanando das runas nos rodapés das paredes.
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por Midori em Qua Out 17 2012, 17:39

Você sabe que eu demoro mas leio XD
Hahahahahaha um dia eu leio LOL

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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Sex Dez 28 2012, 22:02

Up.

Depois de 500 mil anos resolvi revisar mais uma parte dos textos. Ainda espero por um momento oportuno de vagabundice quando a meu pique para escrever flua novamente. :/

Capítulo 5 – A Primeira Onda – parte 1

Spoiler:
Capítulo 5 – A Primeira Onda – parte 1

Sob o arco de entrada do salão estava parado o sujeito que havia trazido um companheiro moribundo para dentro do complexo. As rubras luzes que o acompanhavam logo denunciaram a sua presença aos demais que ali festejavam. Com pouco tempo todo o salão parou em silêncio para observá-lo. Todos do Sedoc sabiam muito bem o que tais luzes significavam, as runas de alerta que decoravam os rodapés de todo lugar brilhavam em vermelho vivo sempre sangue de jotun, ou de alguém que tenha sido infectado por tais criaturas se aproximasse delas, era um dos mais complexos sistemas de defesa do lugar. Algumas das pessoas que estavam mais próximos do tal indivíduo tentaram abrir o máximo de espaço possível. Outros poucos que não se sabe por que carregavam algum tipo de arma logo as sacaram com espanto.

Dami voltou-se para Nacasiba, que estava parado na mesma posição em que havia iniciado a conversa, o rapaz o observou, olhando para dentro das duas fendas negras da mascara do velho por um segundo e logo após voltou seus olhos para aquela pessoa lá na frente. O rapaz reconheceu como um dos companheiros de Gregório, mas aquelas luzes alarmantes das runas e o estado em que se encontravam as roupas do sujeito, como as de quem havia participado de uma sangrenta batalha. Eram sinais mais do que suficientes para indicar que algo estava terrivelmente errado naquela situação.

- Fique aqui e não se mova. – ordenou-o o senhor mascarado.

O clima já havia se tornado pesado e o silêncio de antecipação de um confronto foi apenas quebrado pelo próprio Nacasiba que se distanciou de Dami e começou a seguir em direção ao suspeito sujeito levantando o tom da voz e falando:

- Meu jovem, se você está infectado esse não é o seu lugar... Mas posso até adivinhar que você sabe que a Sala de Cura é no caminho oposto – completou o velho.

Nada respondeu o sujeito, que apenas ficou ali parado do jeito em que estava desde que o notaram ali, apenas observando a todos com olhos maldosos. Os demais próximos a ele, quase contra as paredes da sala, davam todo o espaço para ver o que viria em seguida, sabiam que alguém normalmente infectado não estaria nem consciente, quem diria capaz de ficar de pé e sair andando por ai. Não sabiam como reagir a tal situação, e quase que em uma forma de pensamento coletivo deixaram o seu líder, o velho senhor chamado Nacasiba agir. O Cavaleiro Jarl Imman Angus havia levantado-se junto com quase todos da sala assim que o sujeito havia aparecido e já indo em direção ao mesmo falou em voz alta, logo após seu líder:

- Senhor Vassan Damarque... – parecia ter se esforçado para lembrar do nome do sujeito - Ouviu Nacasiba. Fale alguma coisa... Moleque! - falou com sua costumeira voz autoritária e arrogante.

O sujeito abriu um sorriso quando acabou de ouvir Angus e o fitou com um olhar frio, por fim respondeu:

- Vim aqui falar com ele... – acenou com a cabeça para Nacasiba – Não... se intrometa... - sua voz não soava com o normal daquele jovem sujeito. Não soava se quer como a de um ser humano.

-Pff... – rui Angus com escárnio - Um impostor... Quem é você? – perguntou enquanto calmamente tirava uma adaga de um bolso interno de seu sobretudo de couro.

O sujeito olhou para baixo sem pressa, coçou o pescoço com força e novamente voltou a encarar o ex-instrutor dos recrutas com um leve sorriso nos lábios. Começou a caminhar lentamente em direção a ele e ao Nacasiba como se tivesse encarado o gesto de Angus como um desafio. As pessoas que estavam mais próximas do suspeito podiam sentir algo terrivelmente errado, o ar ali estava ficando mais frio e algumas das velas sob as mesas mais próximas a ele começavam a apagar-se subitamente, nem de longe aquela pessoa era um simples infectado.

Angus sacou outra adaga escondida em seu traje e não perguntou nada, apenas arremessou-a violentamente contra aquele estranho “conhecido”. A lâmina voou zunindo enquanto rodopiava cortando ferozmente o ar e acabou fincada firmemente no lado esquerdo do peito do alvo com um sonoro e molhado impacto. Os outros que lá estavam armados fizeram menção de atacarem o sujeito, mas logo Nacasiba gritou:

- Não ataquem! - em um tom um tanto quanto aflito.

Em obediência ao líder os membros armados pararam relutantes e nervosos. Se ele os ordenou para não atacar aquele estranho intruso, algo estava errado muito.

Com a pancada, Vassan deu um passo para traz perdendo a pose ereta e lá ficou. Olhou para aquela arma enterrada em sua carne e sem pestanejar ou expressar qualquer outra reação, puxou-a para fora lentamente. Ouviram-se exclamações de espanto vindas de todo o salão inquieto com aquela situação enquanto a lâmina saia banhada um sangue muito escuro. Nacasiba pronunciou-se mais uma vez:

- Quero todos parados e quietos! É uma ordem - falou em alto e bom som, sua voz abafada parecia levemente alterada.

- Muito obrigado - falou Vassam enquanto soltava a adaga no chão e lentamente olhava em volta para ver se todos os presentes realmente obedeceriam a ordem de seu superior - agora podemos conversar com mais cal...

Angus saltou contra o intruso com a outra adaga que tinha em punho. Aquela reação do intruso tinha sido a ultima prova de que ele nem de longe era quem aparentava ser. “Vassam” com o canto do olho o encarou mais uma vez por um segundo. O ex-instrutor sentiu uma vontade assassina naquele sujeito no momento em que seus olhos encontraram-se com os dele naquela fração de segundos ao mesmo tempo em que a voz do velho Nacasiba podia ser ouvida implorando para que não atacasse.

O que aconteceu após isso foi bem difícil de acreditar para a maioria dos presentes: Uma forma escura emanou de “Vassan” e acertou Angus bem no peito com um estrondo espectral, fazendo o ex-instrutor girar em pleno ar e cair bem na frente do inimigo que rapidamente puxou seu braço direito que ainda segurava a adaga antes que o arrogante Jarl pudesse reagir. O intruso com o punho que estava livre socou-o bem no meio do antebraço. Foi possível ver claramente aquela porção do braço onde não havia juntas curvando-se ao som abafado de algo quebrando. Era evidente que o osso de seu antebraço havia rompido-se, apesar de que tudo isso havia acontecido muito rápido. Angus soltou um grito de dor e as pessoas que estavam armadas fizeram menção de socorrê-lo mas Nacasiba logo ordenou que não reagissem em um grito exaltado. Todos o obedeceram relutando do fundo de suas almas.

Excerto o próprio Angus, ele não quis escutar o velho líder, ele não queria dar-se por vencido, era orgulhoso demais para render-se para um intruso. Apesar da dor, ainda tentou com o braço esquerdo que estava livre furar um dos olhos do sujeito, mas assim que sua mão alcançou a altura da cabeça do adversário outro feixe de escuridão o repeliu. Sem perder tempo “Vassam” com o mesmo punho que o partiu os ossos do braço deu-lhe uma feroz martelada bem no meio do rosto, quebrando-lhe os óculos que usava até então, que caíram com cada aro circular para um lado de seu nariz quebrado que imediatamente começou a sangrar. Em seguida outra pancada, e mais uma. Seu rosto agora ensaguentado já o deixava quase que totalmente desorientado. O agressor agarrou-lhe pelo pescoço e o levantou sem esforço algum. Olhou em seu olho, no que ainda encontrava-se aberto, e com um sorriso torto falou com uma voz que agora soava mais estranha do que nunca:

- Você deveria escutar um pouco mais o seu líder... Moleque – parecia que ele iria o dar um golpe de misericórdia quebrando o pescoço com apenas a mão que o estrangulava, mas fez uma careta e o jogou de volta no chão.

Aquela voz lembrava muito, principalmente aos que participaram da caçada do dia anterior com Angus, ao som que aquela criatura capturada emitia. Era como várias pessoas diferentes falando ao mesmo tempo acompanhadas por um tom bestial mais baixo que inquietava qualquer um que escutasse.

- Já basta! - berrou Nacasiba – Já entendemos! O deixe em paz! - pediu inquieto - Você já tem a atenção de todos, por favor, diga logo a que veio... - fez uma relutante pausa – ...Locke.

Assim que aquele nome foi proferido, uma nova onda de exclamações e sussurros rompeu o silêncio, mas logo a silenciosa tensão da situação voltou a formar-se.

- Claro... - respondeu calmamente “Vassam” - Agora não a mais motivo para manter-se o mistério sobre minha aparência não é mesmo? - sorrio o intruso.

Logo aquela estranha escuridão começou a brotar de sua pele, que se desprendia do rosto e dos braços, assim como pequenas partes de um frágil tecido. Pequenos pedaços leves como cinzas de um incêndio começavam a cair lentamente enquanto aquela forma de um conhecido de quase todos os membros ali presentes começava a se tornar outra coisa. Aos pucos aquilo ia crescendo, tomando forma, e não se demorou para que Vassan se tornar algo completamente diferente. Um ser alto e esguio, com mais de dois metros de altura, que trajava uma túnica escura, rasgada e cheia de remendos que emergiam da escuridão junto com o resto de sua roupagem. Recobrindo suas costas e sobre seus ombros havia um enorme capuz feito da pele de algum animal de pelo muito escuro, que naquela criatura mais parecia uma juba negra de leão. Sua face era escondida por um tipo de turbante desbotado que deixava apenas seus olhos visíveis. Dois profundos e cinzentos círculos brilhantes no meio de esferas negras. Seus braços eram compridos com grandes mãos de dedos grossos dos quais se projetavam ásperas e curtas garras. Sua pele era de um cinza azulado, ressecada e em várias partes até escamosa. Em alguns pontos possuía marcas, que mais pareciam feridas, mais claras que o resto do tom da pele, que a luz das velas do local chegava a emitir um pálido brilho.

A transformação não demorou mais do que alguns segundos, deixando a todos mais pasmos e tensos do que já estavam, a única coisa que permaneceu igual a antiga pessoa que ali estava foi o brilhante anel prateado no indicador direito da criatura.

- Vim aqui, o convidar para... Conversar, velho amigo – falou para Nacasiba fazendo uma truncada reverência logo após revelar-se.

O velho demorou um pouco para avançar, observou a criatura por alguns segundos, não era possível ver sua feição. Por fim foi aproximando-se calmamente cada vez mais, ele respondeu:

- E se eu recusar... Locke? - aparentemente a multidão a sua volta ainda se surpreendia sempre que o velho falava aquele nome.

Agora era possível sentir o cheiro daquele invasor... um forte odor de algo queimado. Pareciam que haviam jogado várias penas de ave em fuma fogueira. Algo muito forte e repulsivo.

- Hum, então mais pessoas além dos que eu já se prejudicaram com minha chegada iram... ãhn, você sabe – abaixou a cabeça e fitou novamente o derrotado Angus implicando que esse seria o mesmo destino dos que tentassem o enfrentar.


- Pois bem, estou aqui na sua frente. Conversemos - respondeu calmamente o velho mascarado, sem demonstrar nenhuma emoção.

- Não aqui, não, não. - a criatura contraia os braços - Em outro lugar velho amigo. Tenho muito para te falar. Muito para te mostrar. - coçava uma daquelas marcas brancas em sua pele com as garras de seus dedos.

O velho mascarado respirou fundo:

- Locke...

- Se você não houvesse se escondido de mim aqui embaixo da terra... - o interrompeu agressivamente com aquela voz que mudava de tom em tom, nenhum menos assustador - eu... hhumm... - a criatura fechou os olhos e respirou fundo, sua respiração era sonora como a de um grande animal, aparentava ser muito transtornada – Duas décadas... Duas Décadas, velho amigo. – ria - Podemos ir, ou preciso mostrar que não estou de brincadeira? - enquanto falava, aquela sombra negra começava a emanar de suas mãos como chamas.

- Tudo bem Locke, farei o que você quer, mas com uma condição: Você não vai machucar mais ninguém do Sedoc...

O intruso agora frente a frente com o velho mascarado abaixou-se um pouco e o encarou profundamente por poucos segundos com aquelas orbitas negras, por fim respondeu:

- Se ninguém tentar nada de estúpido velho amigo, nada de estúpido... E... Se você colaborar... Teremos um trato. - então olhou envolta para todos que o observavam com medo ou escarnio. Por fim esticou lentamente a escamosa mão direita.

Demorou um pouco para que o velho se movesse novamente, mas logo apertou sua enorme mão, que foi firmemente segurada. Locke então com a mão livre fez menção de pegar algo em sua túnica.

- Lembre-se de nosso trato! - interveio Nacasiba tentando manter a calma sem saber o que a criatura sacaria de suas roupagens.

- Sim, sim... não se preocupe, velho amigo – rui monstruosamente – Você sabe que sou um homem de palavra – falou com ironia distorcida por sua voz espectral -... Isso é apenas nosso meio de sair daqui...

Então a criatura completou seu movimento e tirou de sua túnica uma peça talhada em pedra com formato circular, do tamanho de um pires de chá. Então aquelas sombras negras emanaram de sua mão esquerda para o tal objeto, que manifestou um circulo de caracteres rúnicos em vermelho em sua superfície seguido de uma explosão de luz que momentaneamente cegou todos os presentes no local. Num piscar de olhos, os dois desapareceram bem na frente de todos em um estridente estalo, deixando o piso de pedra talhada aonde os pés dos dois se apoiavam todo chamuscado em um vermelho escuro.
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Qua Fev 20 2013, 22:55

*Postei no Zinemax e me esqueci de postar aqui também.

Capítulo 5 – A Primeira Onda – parte 2


Spoiler:
Capítulo 5 – A Primeira Onda – parte 2

- Mas o que diabos aconteceu? - exclamou exaltado o ex-recruta Heitor, rompendo o resto de silêncio que havia na câmara antes de uma explosão de barulho.

Imediatamente várias das pessoas mais próximas a Angus correram e ajoelharam-se para socorrê-lo. Muitas das outras ainda estavam pasmas com aquele repentino acontecimento, tentando entender o que haviam visto.

- O que aconteceu? O que aconteceu? Locke aconteceu! - Respondeu Cásia Damon de seu acento, lá ela havia permanecido petrificada logo que a criatura havia se revelado para todos.

- E por que ninguém o atacou? Por que ninguém ajudou Angus? - continuou Heitor indignado.

- Você não sabe? Claro que não seu estúpido, você é um maldito recruta – falou nervoso um dos membros mais antigos que estava ao lado direito do “veterano” – O Aesir Caído podia e ia matar todos aqui se Nacasiba não tivesse cooperado. - fez uma breve pausa para respirar fundo esperando ver o que o recruta responderia, este só o devolveu um olhar de desprezo e incompreensão, o homem continuou – Você nunca ouviu as histórias? Olha! Olha! - apontou o homem bravo para o ex-instrutor ferido - Ele quebrou Angus com os punhos... ele quebrou um cavaleiro Jarl! Um Jarl! Você queria mais?

- Aqui tem no mínimo quarenta de nós! Poderíamos ter lidado com aquela coisa! - insistiu na discussão.

- Pelos antigos moleque! Você não sabe de porra nenhuma! - rangeu os dentes desviando o olhar - Devia pelo menos conhecer nossos inimigos já que não é mais um recruta! - então voltou para olhar para o ex-recruta – Espera ai, você não é aquele fracassado que já vem treinando a seis anos sem fazer nada que preste? - perguntou o encarando com deboche.

Heitor agora estava pronto para começar a discutir com os punhos com aquele nervoso sujeito quando Cásia Damon voltou a falar agora com toda a força que tinha na voz.

- Já chega vocês dois! Eu quero ordem! - esbravejou tentando organizar o alvoroço que havia se tornado aquele salão.

A grande maioria calou-se, a final ela era membra da Mesa dos Principais, todos lá a deviam respeito.

- Vocês ouviram. Agora temos que nos organizar – completou nervoso o senhor Radimir Valentim, esfregando a mão no rosto tentando pensar em qual seria o próximo passo enquanto enxugava o suor gelado que escorria de sua testa.

Ao ver que Angus já estava sendo levado para a enfermaria virou-se para sua colega de mesa, que estava tão nervosa quanto todos os outros ali.

- Como isso tudo foi acontecer Radimir ? - indagou Cásia Damon voltando a sentar-se – Como ele conseguiu entrar aqui disfarçado de um dos nossos?

Humm, você que me diga. Ele é o Locke, Cásia... - respirando fundo Valentim foi olhando o povo agitado que havia sobrado no salão antes de continuar – Não sei como fez, mas era de se esperar um feito desse vindo de alguém como “ele”, deve ter achado um jeito de nos espionar... e... e ficou esperando até o dia onde aconteceria algo do tipo... Muitos de nós em viagem mundo a fora... E os que estavam aqui, todos reunidos em um único lugar, em uma comemoração. Quando nossa guarda estaria a mais baixa possível, perfeito para ameaçar Nacasiba a não reagir... - riu enquanto contemplava a esperteza da criatura – ele esperou pelo momento perfeito. Que desgraçado.... Eu... Eu já disse ao velho que não estávamos protegidos o bastante. – parou para observar o chão queimado onde a criatura e o velho estavam – Você viu não foi? Ele usou uma runa estranha para sumir. O que você acha que era?

Enquanto Valentim falava, Damião Aerrierf escutava a conversa lá de trás, do mesmo lugar donde estava quando tudo aquilo começou. Estava tão indignado quanto Heitor. Não sabia muito bem o que pensar daquilo tudo no momento então resolveu manter-se ali em silêncio enquanto podia ouvir a conversa daqueles dois mais a sua frente.

Sentia como se a vida havia acabado de lhe aplicar uma brincadeira de mau gosto, sabia o quão incrivelmente grave era a situação para todos, mas o rapaz passou muito mais do que esses dois anos que tinha vivido como recruta do Sedoc esperando para ter a tal conversa com o velho Nacasiba. Assim que havia cumprido sua parte da barganha, treinado a exaustão para tornar-se um dos melhores do grupo dos recrutas, perdido noites e mais noites estudado a história e a simbologia dos Aesir, aprendido línguas que não o interessavam, aguentado toda a pressão que o desgraçado do Angus fazia sobre ele, agora que ele tinha se tornado um Aesir de fato, um membro oficial daquele complexo, aquela coisa apareceu e sequestrou o velho, simples assim. Sentia-se nervoso, frustrado, enganado, e sem saber o que fazer.

Mas engoliu tudo aquilo e tentou voltar a situação atual, sabia que não era apenas ele que havia perdido algo muito importante naquele momento. Os dois a sua frente pareciam terem esquecido que o rapaz estava a apenas alguns metros escutando claramente cada uma de suas palavras.

-Vou mandar grupos revirarem o complexo para ver se não houve mais vitimas ou armadilhas, ou qualquer coisa que ele possa ter deixado para trás – inalou profundamente mais uma vez o senhor Radimir, estava nervoso e com as mãos levemente tremendo, não era líder para esse tipo de situação – Os cofres, nossas pesquisas... deus...

Olhou para o ex-recruta Heitor que ainda estava por lá discutindo com outras pessoas e falou com voz alta para ser bem ouvido

– Você! Chame o líder dos guardas, quero ele aqui imediatamente!

Heitor virou a cabeça e acenou positivamente para o senhor Valentim assim que recebeu a ordem e disparou em direção ao arco de saída do salão ignorando as pessoas que o falavam mal.

Cásia Damon permaneceu pensativa por alguns segundos observando a chama das velas que brilhavam sob a mesa em que estava sentada.

- Precisamos alertar Nortglast, Radmir... Precisamos pedir reforços! - olhando de volta para o colega de mesa.

- Ah... Claro... Claro, escreverei uma carta para eles agora mesmo... - ia fazendo menção de retirar-se quando Cásia o interrompeu:

- Arhg! Não Radimir. Uma carta leva meses para chegar lá. Precisamos nos comunicar imediatamente...

- Como assim? - perguntou Valentin confuso.

Cásia o olhou nos olhos enquanto balançava negativamente a cabeça.

- As vezes me esqueço que você não é um Aesir e sim um maldito comerciante, mas tudo bem... - virou-se para a o fundo do salão – Você!

Pegando Damião um tanto quanto de surpresa, ele realmente estava começando a acreditar que eles tinham se esquecido dele ali atrás.

- Aerrierf certo? - continuou impacientemente Cásia ao reconhecê-lo.

O rapaz apenas acenou positivamente com a cabeça.

- Quero que vá ao quinto andar e chame o senhor Laurence Giovane... Creio que vocês dois são amigos certo? - e então o rapaz acenou positivamente mais uma vez – Traga-o aqui, o mais rápido possível. Diga a ele que quero falar sobre as Pedras Fundamentais.

- Sim senhora... - falou Dami, perguntando-se o que Laurence tinha a ver com essas tais pedras.

- Ah, e Aerrierf... - intrometeu-se o senhor Valentin - tenha cuidado ao descer... não sabemos o que Locke pode ter feito enquanto estava aqui. Fique de olho nas runas de alerta.

- Hhumm... Sim Sr. Radmir – pelo pouco que o rapaz sabia sobre o Locke, se ele tivesse deixado para trás qualquer tipo de armadilha rúnica, dificilmente seriam detectadas pelas defesas do complexo, mas não quis comentar nada.

E com isso Damião rumou depressa para fora do Salão Comunal.

No seu primeiro ano como recruta do Sedoc, enquanto estudava sobre a história dos Aesir, havia visto que Locke foi um grande líder dos Aesir do norte. Um homem a quem jugavam ser o mais habilidoso de todos, um grande guerreiro estudioso das runas e da alquimia, mas que em uma guerra foi envenenado por um traidor, virando um Jotum sucumbindo a loucura e sumindo. Foi por muito tempo temido pelo que havia se tornado, mas por ninguém mais ter notícia de seu paradeiro, foi considerado morto por muitos. Acabou virando um mito, o mito do Grande Aesir Decadente, o Aesir Caído, entre outros nomes, um exemplo do perigo dos Jotuns.

Enquanto descia para os andares inferiores pensava no que acabava de ter ouvido e no conselho que havia recebido por ultimo. Será que aquele Locke fez mais alguma coisa dentro do Sedoc fora o que havia acabado de presenciar? E com essa pergunta correndo em sua mente imaginou uma centena de péssimas situações com as quais poderia deparar-se, gente ferida, gente sumida, gente morta, alem da grande probabilidade da criatura ter roubado algo de valor do local. Imaginou se aquela coisa poderia ter machucado mais alguém que ele conhecia e se importava, alguém importante... diferente de Angus.

Poderia ter sido Laurence, já que ele trabalhava no quinto andar, onde ficam todos os laboratórios e todas as pesquisas esquisitas com Jotuns que e coisas do tipo. Fora os cofres com todos os tesouros importantes do lugar. “Aquele branquelo não teria a minima chance...” Pensou.

Mas passando pelo longo corredor em direção as escadarias que levavam para os níveis inferiores do complexo, lembrou-se de mais alguém que não estava presente na cerimônia: A enfermeira Rachel. Então virou-se e voltou correndo em direção ao Salão de Cura. Quando estava se aproximando pode ver a enfermeira chefe Aline, em frente a pesada porta de madeira que dava acesso a câmara.

- Senhora Aline! Onde estão as enfermeiras? - Perguntou o rapaz.

- Ah, estão todas ai dentro. – respondeu a enfermeira chefe tão agitada quanto qualquer outra pessoa no complexo – Você está ferido rapaz?

- Ah não, eu não... – apenas procurava por Rachel – Apenas checando...

- Bem, como disse elas estão ai, prontas. Não sabemos quantos vamos ter de socorrer.

- É.. nem eu... - falou preocupado enquanto adentrava na enfermaria.

Varreu toda a câmara com os olhos até que logo viu os volumosos cabelos castanhos amarrados de Rachel ao final do salão. Parecia que estava escrevendo os horários das medicações dos pacientes em um quadro próximo a uma maca com alguém deitado. Aparentemente ela estava bem, muito embora o rapaz possa perceber a distância que ela parecia nervosa, ele sabia muito bem o motivo. Provavelmente Gregório ainda não havia retornado. Queria ir lá, mas não tinha o que falar para moça, então se retirou de volta a sua atual tarefa. Com o canto do olho viu Angus recebendo os primeiros socorros enquanto reclamava com uma das jovens enfermeiras, por mais que o odiasse sentiu pena do rude sujeito. Mas logo previu que como era do feito do ex-instrutor logo já estaria de pé mesmo com a cara e ossos quebrados e sua pena logo foi-se.

Tirando essa dúvida Damião desceu o mais rápido que pode as centenas e centenas de degraus que levavam para o mais baixo andar do Sedoc, fora aqueles dois, não tinha muitos amigos para se preocupar.

Quando chegou no local não notou nada de errado além dos vários Aesir que já estavam por ali verificando se tudo estava bem. Pensou em dar um pulo no corredor onde ficava a imensa porta fortificada do cofre de tesouros, para saber se lá estava tudo bem mas tomou o outro corredor que levava para o laboratório onde o amigo costumava trabalhar. Encontrou a maciça porta de madeira que dava acesso a câmara trancada por dentro, então o rapaz desferiu sólidas pancadas contra a porta. Demorou um pouco para se ouvir qualquer reação do interior até que Laurence perguntou:

- Quem é? - com a voz abafada pela espeça porta.

- Ah.. .Dami... Vamos Láu, abra aqui! - estava um pouco sem fôlego pela longa descida.

- Dami? - soou surpreso - Tudo bem... só... espera um pouco...

O som de papeis sendo rasgados e livros sendo fechados podiam ser ouvidos de trás da grossa porta. Algo foi jogado ao fogo, o que não deixava de soar estranho. Até que se escutaram os baques e rangidos de fechaduras sendo abertas e Laurence Giovane abriu a porta com um desconfiado sorriso encarando o amigo. Damião devolveu um olhar tão desconfiado quanto.

- O que você está fazendo aqui embaixo? - perguntou o loiro rapaz um tanto quanto surpreso - Não deveria estar na cer...

- Láu, escuta... - fitou o estudioso sujeito com seriedade antes de prosseguir – uma coisa... um cara.. ah.. Locke invadiu o Sedoc e sequestrou... o Velhote.

Laurence o espiou com um sorriso esperando o resto de uma piada por um momento, vendo que Damião continuava a o encarar de maneira séria falou:

- Vamos Dami... que brincadeira é essa? - arrumando a loira franja bagunçada incrédulo.

- Não é brincadeira Láu, Cásia Damon está te chamando – falou enquanto apontava para a direção das escadarias - Falou que era algo sobre... as Pedras Fundamentais e Norglast , é urgente - frisou.

- Ah... Tudo bem. – falou sem intender muito bem - Mas isso é muito sério Dami...

- É sério Láu.... – o encarava com sinceridade em uma expressão um tanto quanto cansada.

- ...Se isso for algum tipo de pegadinha da tua cerimônia....

- Arhg! Vamos logo Láu. - falou perdendo a paciência e saiu puxando o amigo pela gola de seu casaco.

Os dois começaram a subir o longo caminho de volta ao primeiro andar do complexo. Ao longo do trajeto Laurece foi observando que o que seu amigo havia lhe dito não era brincadeira no final das contas, ou isso ou ele teve de convencer muita gente para participar dela. A cada lance de escada, passavam por várias e várias pessoas nervosas que conversavam sobre o assunto. Chegando no salão comunal pouca gente havia restado. Cásia e Radmir não encontravam-se mais lá.

- Ah, Dami... isso foi Locke que fez? - peguntou Laurence ao ver o chão queimado aonde a criatura havia sumido misteriosamente.

- É - respondeu sem animo.

- Interessante... - falou enquanto arrumava os óculos observando com fascínio aquela rubra marca.

Todos sabiam que acima de tudo Laurence era um estudioso. Alquimia, ciência, as antigas artes rúnicas, tudo o interessava e o fascinava muito. Mas o loiro sujeito logo voltou a realidade e seguiu com o amigo procurando por seus superiores.

A dupla foi informada que eles tinham ido para o Salão de Cura falar com Angus. Então os dois deram meia volta e tomaram o longo corredor até lá.

- Então... Láu... - falou Damião tentando pensar em algo que não fosse o sequestro do lider do lugar - Me lembre... o que são essas pedras fundamentais...

Mas era inevitável para o rapaz tirar aquilo da cabeça, até por que ele e Nacasiba foram interrompidos no meio daquela importante conversa.

- Humm... como você não sabe? Não estudou isso, recruta? - brincou descontraído como se não estivessem lidando com toda aquela repentina crise.

- Argh... Estudei – respondeu o mais educadamente que consegui no momento – E estudei sobre tantas pedras nesses últimos anos... Que as vezes me confundo. Sabe como é né? - forçou um sorriso – Os Aesir e todas as suas malditas pedras... - suspirou.

- Hum... Dami, essas Pedras Fundamentais são o nosso portal de acesso direto com as outras grandes fortalezas Aesir, diz a lenda que foi por que elas já estavam aqui que o Sedoc foi construído onde está, adjacente a elas. Dizem que elas são um dos mecanismos deixados pelos Antigos...

- Ah... isso mesmo! Sabia que eram elas – mentiu, disfarçando piamente sua falta de conhecimento - Então Cásia quer usá-las para ir direto falar com os líderes de Nortglast...

- Isso mesmo. E acho que é o mais correto a se fazer em uma situação como essa. - completou Laurence suspirando – Nossos outros inimigos podem se beneficiar dessa situação.

Os dois passaram pelas portas da enfermaria direto até o fundo da grande câmara onde Cásia e Radmir estavam. Com eles se encontrava Angus sentado em uma das camas do local, com rosto inchado enfaixado por várias bandagens e ainda sujo de sangue mal coagulado. Seu braço estava preso a suportes de madeira laçados ao seu peito para que não se meche.

- Ai estão vocês – falou Cásia ao perceber a dupla - Muito bem. Sr. Giovane, creio que o Sr. Arieeerf deve ter o informado do que queremos do senhor.

- Ahn.. sim – confirmou Laurence com pouco ânimo.

- Pois bem, vá com o Sr. Valentim, ele se certificará de que você tenha tudo que necessita para abrir uma ponte entre nós e Nortglast.

- Muito bem – concordou Laurence – Mas... posso saber quem irá falar com os Líderes chegando lá?

- Eu – respondeu Cásia sem pestanejar.

- Claro, claro... Imagino que irá levar um guarda costas? - após a pergunta o pálido sujeito abriu um leve sorriso.

Cásia fitou-o no fundo de seus olhos por trás dos óculos que usava. A senhora Damon sempre tinha olhos frios e julgadores, demorou-se alguns segundos e então ela continuou:

- Claramente isso não é da sua conta, Sr. Giovane. Mas sim levarei um.

- Isso é muito bom. - continuou com eloquência -Veja senhora Damon, pelo que estudei o custo energético para levar duas pessoas pela ponte é o mesmo gasto para se transportar até quatro indivíduos, o que seria um desperdício. Então proponho uma condição. Quero ir também. Eu e meu amigo aqui – dando uma fofa tapa nas costas de Damião.

- Mas o que? - falaram quase que ao mesmo tempo Damião e Angus.

- Isso é realmente necessário? - indagou Cásia.

- Senhora Damon – sorriu Laurence com enquanto arrumava os óculos - não perderia a oportunidade de usar pessoalmente a ponte das Pedras Fundamentais por nada nessa vida. Isso sem contar que Nortglast possui algum elementos alquímicos que me seriam bastante ú...

- Tudo bem! Tudo bem! - concordou impacientemente Cásia – Mas por que justo o senhor Arieeerf?

Laurence a olhou despretensiosamente, em seguida olhou para o amigo, e de volta para Cásia.

- E por que não? Preciso de alguém... - reduziu o tom de voz – para carregar minhas compras...

- Humpf... - bufou a senhora Damon com ar de superioridade -Faça como quiser Sr. Giovane. Mas faça os preparativos rápido, nossa situação urge! É uma ordem!

- Huum, que bom que pudemos nos entender Srª. Damon – falava enquanto fazia uma breve reverência. - Sr. Valentim, Dami. Me sigam. Vou precisar de ajuda. - Assim que falou, virou-se sorrindo e rumou para fora da enfermaria.

Radmir e Damião entreolharam-se o seguiram em silêncio câmara a fora.

Cásia sentou-se em uma cadeira que estava ao lado da cama de Angus. E acompanhou com os olhos a saída do trio. Virou para um das enfermeiras que lá estavam cuidando de Angus e pediu que a servir um calmante. Logo em seguida, ordenou que as enfermeiras saíssem da câmara por um instante e os deixassem a sós.

- Não gosto disso. Um desses moleques nos chantageando. Ahrg... não podemos chamar mais ninguém para fazer o ritual? - perguntou Angus. Estava fanho por causa do nariz quebrado.

- Não... – suspirou Cásia - O único que oficialmente sabe operar as Pedras é Nacasiba.

- E por que esse Giovane sabe? - indagou fazendo cara de dor ao mexer o rosto machucado.

- Humm... foi culpa minha. Precisava que mais alguém soubesse em caso de emergência.

- Arhg... Cásia – a olhou com raiva, entortando o rosto dolorido - De todos os homens confiáveis e moleques estúpidos, mas confiáveis também, você escolhe logo aquele sujeito, logo o mais espertinho? Você sabe o quão errada você está em ter permitido isso?

- Sei Angus... E me responsabilizo por meus atos – Respondeu com um suspiro - Será que se William Azec estivesse aqui, ele teria impedido Locke?

Pensando em uma resposta Angus repousou sua cabeça de volta no travesseiro de sua cama.

- Não sei. Ele e Alexis poderiam ter cuidado da situação de uma maneira diferente. - Suspirou o ex-intrutor enquanto ajeitava-se dolorido -

- É a segunda vez que acabo fazendo merda na vista de todos... não devia ter... ahrg! - Socou o colchão com o braço que não estava quebrado, fazendo a cama quase saltar, logo em seguida gemeu por causa do movimento.

E com esse desabafo o Jarl virou-se para o outro lado da cama ficou em silêncio.

Angus era o mais jovem membro da Mesa dos Principais. Ele era qualificado para o cargo que ocupava, era um grande soldado e um apto guerreiro, mas seu maior defeito, era ser arrogante nas piores horas. Algo que fazia com que muitos não gostassem de sua pessoa, e questionassem se ele realmente era merecedor do título de Jarl do Sedoc.

Capítulo 5 – A Primeira Onda – Fim.
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Qua Fev 20 2013, 22:56

Capítulo 6 – Grandes Círculos - parte 1

Spoiler:
Capítulo 6 – Grandes Círculos.

Parte 1
Laurence Giovane, dentre outras coisas, pediu para que o senhor Radmir Valentim agrupasse o máximo possível de membros do complexo em frente às Pedras Fundamentais e disse que logo estaria lá. Antes disso, pediu para que encontrasse o mestre engenheiro do Sedoc, o senhor Gonzalo para ajudá-los nas demais preparações. Ele e Damião atravessavam o corredor dos dormitórios no segundo andar, em direção aos aposentos do mestre Nacasiba na câmara mais distante daquele piso.

- Ahn... Tudo bem com você Dami? - perguntou o loiro rapaz.
- Ah... acho que sim... - respondeu Damião cabisbaixo enquanto caminhavam – Láu, vamos mesmo atravessar uma Ponte?

- Sim... Por que? Não quer ver Norglast? - respondeu Laurence sem prestar muita atenção, absorto em seus próprios pensamentos e maquinações.
- Ah... não sei. - falou chacoalhando os ombros - Como você falou, acho que reportar a eles é a melhor solução, já que, bem... são Norglast... e... É se o tal Locke for tão perigoso quando dizem por ai... mas... eu – fez uma pausa no ritmo da caminhada - você não acha nós deveríamos ter ido procurar Gregório?
- Gregório? - o pálido rapaz parou um pouco para pensar de quem era aquele nome - Ahn... O capitão Gregório?
- Locke entrou aqui disfarçado de um dos amigos que saíram junto com ele... e pelo que soube, eles foram caçar um “Jotum”...
O rapaz sentia um tanto de remorso por não ter feito quase nada de útil durante ou após o inesperado ataque da criatura Locke.
- Oh... - olhou Laurence para as luzes dos candelabros que iluminavam o longo corredor com seus olhos negros e cansados – Dami, se Locke veio como um deles, então ele deve... Provavelmente... Ter...

- Matado eles? É por isso que ninguém ainda foi atrás deles? - completou levemente alterado.

- Sim Dami... se não, eles vão voltar... – afirmou sem segurança na voz - Mas as chances disso são muito pequenas... – respondeu Laurence incomodado.


-Quem é esse Locke? - perguntou enfezado - Quem é ele de verdade?

Laurence por um segundo, relutou em responder ao amigo.

- Arhg... é uma longa história – falou mais uma vez sem segurança - Você deveria saber quem é ele recruta...

- Não me vem com essa de recruta! – esbravejou Damião, já estava ficando doente de ter esse tipo de tratamento - O máximo que descobri sobre ele é que ele é um traidor ou algo do tipo, que é muito perigoso e que tem algo com... os Jotuns... - fez uma pausa para tentar se acalmar um pouco mais - Sabe Láu... – suspirou - Isso é tudo... Isso... E o preço sob a cabeça dele, você sabe... para alguém que o povo considerava morto... ou pelo menos dizem que estava...
O irritado rapaz sentia que a história do Aesir Decadente era mal contado por um bom motivo, queria saber mais. Queria saber por que o Grão Mestre do Sedoc fora sequestrado por aquela coisa.

- Humm... pois é. - suspirou Laurence apressando o passo. – Dami, sei o quanto deve ser frustrante não saber o que realmente acontece por aqui..

Neste exato instante Damião estreitou os olhos analisando a expressão do amigo.

- Espera... você sabe mais sobre ele... você sempre sabe mais coisas do que deveria... - disso o rapaz já sabia faz tempo.
O amigo era “espertinho”, sabia coisas sigilosas do local, coisas que normalmente uma pessoa em seu posto jamais deveria saber. Coisas que apenas pessoas como Jarl Alexis e Angus eram autorizadas pelo velho mestre do local a ficarem a par.

Olha Dami... – encarou o rapaz, agora muito seriamente - ...Não posso falar nada. Nada aqui... - inspirou – como dizem “as paredes tem ouvidos”, lembre-se disso. - falou baixo.

Damião o fitou e viu a sinceridade em seus olhos, era um pouco desconfiado com Laurence, mas o pálido rapaz era o primeiro e melhor amigo que havia feito no lugar dês de que havia se juntado aos Aesir e ao Sedoc. Concordou com ele e logo seguiram enfrente.

Chegaram a porta de ferro que dava acesso aos aposentos do líder do Sedoc. Feita de metal negro era uma porta bem reforçada, diferente de todas as outras do local que eram simples e talhadas de madeira. A porta negra se encontrava trancada.

- Ah, mas que merda! Vou ter que procurar alguém que tenha uma chave! - falou Laurence apressado já dando meia volta no corredor.
Dami acompanhou o amigo com os olhos e logo se abaixou para examinar rapidamente a fechadura trancava a porta. Era bem segura para ser arrombada, mas fora isso ele não viu nenhum símbolo rúnico gravado em sua superfície, logo ela não explodiria fora seus braços se o rapaz tentasse algo mais “ousado”. Virou-se para o amigo e falou:

- Espera Láu, tenho algo no meu quarto que pode ajudar aqui... - falou enquanto disparava corredor afora correndo.

- Hã? - questionou-se Laurence do que o estabanado rapaz faria.

- Vou lá pegar. Espera aqui. É rápido... hhum, bem mais rápido do que procurar alguém que tenha a chave disso pelo menos... - gritou metros afrente.

- Hhumm... tudo bem então.

Dito e feito Damião havia voltado ligeiro, seu quarto era no mesmo andar donde estavam.

- Bem, espero que ao menos seja uma chave Dami...

O ex-recruta sacou duas pequenas peças metálicas compridas de seus bolsos e agauchou-se de frente a fechadura.

Ah.. não acredito que... - sorriu Laurence descrente.

O rapaz tentou por alguns segundos e nada acontecia, guardou cuidadosamente uma das peças em seu bolso e pegou de lá uma outra um pouco mais grossa, e a introduzi-o no buraco da fechadura de metal negro com perícia tentando desarmar o mecanismo. Logo após um breve momento o som da fechadura se abrindo foi ouvido e o rapaz levantou-se abrindo a porta.

- Damas primeiro! - falou o apressado rapaz, orgulhoso de seu feito.
- Humm... não sabia que você... - foi falando Laurence ainda mais surpreso por aquilo ter dado certo.
- ... é meu filho. - sorriu – Como o um amigo meu diria: Não é uma das habilidades mais bonitas de se ter, mas sem dúvidas é uma das mais úteis. - riu despreocupado pela primeira vez naquela noite.

O cômodo estava escuro, os rapazes pegaram uma velas de um castiçais que estavam no corredor do lado de fora e acenderam algumas outras que já estavam no local. O local era grande, muito decorado também, cheio de pinturas, estátuas de todos os tamanhos e outros tipos de obras de arte de todo o mundo. Era possível ver várias peças que eram de origem das tribos nativas da colônia onde viviam, Lyverith. Vários outros tipos de antiguidades enfeitavam todos os cantos, astrolábios, ferramentas de navegação. Estantes com frascos coloridos, cheios de líquidos diversos, alguns que até emitiam um fraco brilho na ausência de boa iluminação, provavelmente ingredientes alquímicos. A mobilha era de madeira negra, estantes empoeiradas cotiam centenas e centenas de livros e manuscritos. Um cômodo de um verdadeiro erudito. Mas nada chamava mais a atenção de quem entrava lá do que o trio de desformes ossadas negras de Jotuns, montadas de modo com que revelassem muito bem as assustadoras bestas as quais eles um dia pertenceram.

- Bem, estamos procurando por uma pequena runa com o símbolo de Nortglast cunhado no centro, sem ela não da para usar as Pedras para chegar lá. - falou Laurence contemplando o ambiente.

- O que te faz pensar que ela esta aqui? – perguntava Damião enquanto rapidamente tentava se lembrar qual seria esse tal símbolo enquanto vagava por um dos cantos do grande cômodo.

- É... hhumm – Parou para pensar um pouco antes de responder - Por que eu já vi Nacasiba guardando ela em uma caixinha nessa sala. Humm, olhe naquela escrivaninha, vou ver por aqui.

- Tudo bem... – concordou o rapaz um tanto quanto desconfiado pela reação do amigo. - Mas isso pode demorar horas!

- É. - Concordou um tanto quanto desencorajado o loiro estudioso.

Procuraram pelo local por cerca de um quarto de hora até que Laurence achou o objeto em uma caixa sob uma estante empoeirada ao fundo do local, bem como a sua memória havia lembrado. A lisa pedra possuía o simbolo rúnico de Norglast cunhado em azul escuro bem no seu centro. O desenho lembrava uma árvore bem simplificada com poucos traçados.

- Bem, devemos estar muito atrasados... vamos para as Pedras. - falou Damião sem muita noção de tempo.

- Espera, primeiro precisamos arrumar algumas coisas. Preciso pegar malas e dinheiro e ah... nos não podemos ir para lá só com essas roupas...

- É? Deixa eu adivinhar... nós morreremos congelados?

Em seus estudos Damião ficou sabendo que Noglast ficava na região mais gelada do mundo conhecido. Certamente, não seria nada parecido com o clima tropical daqui de Lyverith.

- Ahn.. Não... – Respondeu calmamente o jovem loiro, tomando um rápido fôlego antes de prosseguir - Tecnicamente o organismo dos Aesir permite que nós suportemos temperaturas baixíssimas sem sofrer muitos problemas de saúde, não vamos morrer congelados... mas não quero passar frio nem pegar uma gripe. – Completou sorrindo.

- Tudo bem, passamos nos nossos quartos primeiro ... – Damião também precisava pegar seus pertences afinal de contas.

Então os dois separaram-se rumando para os respectivos aposentos.

Capítulo 6 – Grandes Círculos - parte 2

Spoiler:

Capítulo 6 – Grandes Círculos - parte 2

As Pedras Fundamentais eram a grande estrutura plana e circular que decorava os fundos da propriedade do "armazém", do lado de fora das muralhas. Um monólito antigo de rocha sólida que se erguia do chão consistia em um agrupamento de círculos cortados em pedra impressionantemente lisa, agrupados dentro de círculos e semicírculos cada vez maiores dentro de uma grande circunferência final. Quase todos os membros do Sedoc já se encontravam por lá com tochas ou lanternas a óleo iluminando a escura madrugada.
Chegando no local Damião já caracterizado com suas vestes de “trabalho”, as mesmas que havia usado durante sua viagem com Angus, observava o movimento um agitado. Além dos armamentos presos a suas costas pela surrada bainha dupla de couro e das bugigangas que levava em sua mochila, vestia um grosso casaco de couro negro surrado, que era o melhor que podia fazer para se preparar para o frio da viagem.

Logo avistou vários dos seus conhecidos reunidos. Os ex-recrutas estavam conversando em um círculo num canto, as enfermeiras do Sedoc encontravam-se em outro grupinho adjacente a multidão. O rapaz viu Ranchel Yara entre elas com uma feição que transbordava preocupação, e imediatamente lembrou-se de “Vassan” e do que teria acontecido com o Capitão Gregório. Pensou em ir lá tentar reconfortá-la, mas antes disso olhou para multidão de gente do complexo que lá estava procurando por Laurence, praticamente todos os Aesir do complexo estavam lá cerca de setenta pessoas. Sem muito esforço logo identificou seu amigo que já estava um pouco mais a frente indo falar com Cásia Damon. Aproximou-se dele e disse que ia se despedir de umas pessoas, o sujeito loiro consentiu já que levaria um pouco de tempo para fazer os preparativos para a ponte funcionar.

Damião aproximou-se do grupo de enfermeiras com um andar de como quem não quer nada e falou para a jovem de aparência nativa enquanto algumas outras senhoritas já o olhavam desconfiadas:

- Rachel... – logo já se encontrava mais nervoso do que de costume.

A moça deu uma breve encarada no rapaz com seus olhos claros até o reconhecer, afinal, estava bem escuro.

- Ah, olá... Damiã... ah.. hhumm... Dami. Como você está? - perguntou tentando esconder sua feição preocupada por traz de um amigável sorriso.

- Nervoso – sorriu de volta – Pode conversar um segundo?
Enquanto isso, todas as amigas de Rachel os observavam cochichando baixinho
– Hhummm... em particular? - o rapaz completou.

- Ah, claro. - assentiu a moça, um tento sem jeito.

Os dois andaram alguns poucos paços até ficarem próximos de uma baixa arvore pouco distante da aglomeração de pessoas.

- Fui escolhido para escoltar a senhora Damon – mentiu.

- Humm – a jovem enfermeira olhava em volta observando as pessoas indo e vindo - Que coisa. Ontem era recruta, hoje sai por ai escoltando a nossa "embaixadora". – Brincou, tentando se distrair com essa espontânea conversa.
- É... – suspirou o rapaz sentindo um certo frio na barriga após ter ouvido isso – Humm... Olha, Rachel, você está bem?

A jovem enfermeira o olhou nos olhos e logo seu sorriso desapareceu, desviou o olhar e recolheu os ombros. Inalou profundamente um pouco de ar e respondeu:

- Isso todo, é... muito triste Dami, sinto pena do Angus... e... não tenho nem o que dizer do mestre Nacasiba. - Voltou a olhar nos olhos do rapaz - Ah, sim estou bem. É... Muito gentil de sua parte perguntar... – falava sem muito ânimo - vou sobreviver.
Ela sabia tanto quanto o rapaz que se Locke havia se disfarçado de um dos amigos de Gregório,era por um ardiloso motivo, e seu namorado certamente teria cruzado com a criatura também.

- Espero que Gregório esteja bem. - Completou o rapaz com sinceridade em seu bronzeado semblante iluminado pelas tochas próximas. - Rachel, quero que você fique bem. - completou colocando a mão no ombro da moça.

- Muito obrigado... Senhor Aerrierf, vou ficar bem. – Forçava mais uma vez um sorriso - Quero que se cuide nessa viagem.

Os dois se entreolharam por uma fração de segundos mas logo Rachel desviou o olhar mais uma vez. Por fim o rapaz falou um tanto inseguro:

- Obrigado.
O silêncio voltou por alguns segundo, então o rapaz resolveu forçar a conversa a continuar:
- Além do mais... É só levar a “embaixadora” para falar com os Líderes de Norglast não é? Que poderia dar errado? - Riu - Bem, como se já não estivéssemos no fundo do poço?

- Ah... vejamos... Norglast nos odeia... e... Bem, você pode pegar uma gripe! - Brincou ainda um tanto triste - É mesmo não é? Mas cuide-se. - Falou a simpática moça fazendo uma reverencia.

O rapaz a respondeu com uma reverência igualmente respeitosa. Mas logo em seguida estendeu a mão para um aperto, não gostava de reverências. A moça apertou sua mão áspera com sua macia mão coberta por suas luvas brancas.

Tendo se despedido, Damião lentamente virou-se e foi saindo para achar Laurence. Mas um tanto quanto relutante, voltou para falar com moça:

- Rachel... – com sua mão direita pescou o pingente do colar que carregava consigo e o retirou do pescoço.

- O que é isso? - Perguntou a moça sem entender o que o rapaz estava fazendo.

- Ahn... Eu... Quero que guarde isso para mim. Não... Não é um presente. Quando eu voltar pego de volta. – falou esticando a mão com o colar.

- Humm.. – Rachel pegou a peça pelo seu pingente de madeira e o olhou por alguns segundos. Era uma pequena peça de xadrez, um desgastado rei preto de madeira – Dami, o que...

- Não é nada de mais... é... ahn.. Só.. Uma idiotice minha. – sorriu sem graça – Humm, cuide bem dele! – Falou olhando para a peça na mão morena da enfermeira.

Ambos se entreolharam e antes que Rachel falasse mais alguma coisa o rapaz um tanto quanto vermelho acenou e saiu de volta a seu compromisso.

O pálido Laurence estava no centro da estrutura circular a limpar as lentes de seus óculos, junto com o Senhor Rhadimir Valentim, a senhora Cásia Damon e o senhor Gonzalo, o mestre engenheiro barbudo de voz trovejante que acompanhou Angus na viagem do outro dia, e Gabriel Damon.

Damião sentiu um asco do fundo de sua alma ao ver que junto com eles seu ex-colega de treinamento viajaria junto, já que vestia sua lustrosa armadura leve prateada e tinha uma grande mochila nas costas, muito embora já esperasse que fosse a ele quem a mãe chamaria para acompanhá-la na viagem.

- Bem, é simples. – falou Laurence - Vou precisar de uma runa de Carga para iniciar o mecanismo, feito isso os que vão viajar ficam junto de mim aqui no circulo interior. – reforçou o que falava dando um pisão na circunferência cunhada sobre onde se encontrava em pé - Quando as runas dos círculos posteriores forem se iluminando, quero que o senhor Gonzalo e o senhor Valentim instruam mais seis Aesir para usarem outras runas de carga para alimentar o mecanismo, ordem não é importante e sim que seja feito rápido para não faltar energia. Feito isso, a ponte se abrirá e nós sumiremos em um clarão. Não se preocupem o pior que pode acontecer é não gerarmos energia o suficiente e não sairmos do lugar. Não há risco algum... Bem, ninguém irá aparecer metade aqui e outra metade em Norglast – rui – Os Antigos sabiam o que estavam fazendo quando criaram essas coisas.

- Conheço o procedimento senhor Giovane, por favor, vamos logo com isso... – falou Cásia Damon em tom seco e impaciente.

A provisória “embaixadora” vestia um grosso casaco de pelos negros bem vistosos, mas totalmente desconfortável para aquela quente madrugada de verão.

- Aerrierf, venha para cá! - Ordenou no mesmo tom assim que viu o ex-recruta aproximando-se.

O rapaz apenas obedeceu e juntou-se a ela o filho e Laurence.

- Pois bem... Preparem-se... Vou começar! – falou Laurence enquanto arrumava os óculos por trás de suas lentes circulares encarando a senhora Damon com antipatia.

O jovem estudioso ergueu sua mão direita a altura do peito segurando firmemente uma pedra achatada do tamanho de uma laranja, uma das runas de Carga. Por lá ficou nesta posição por alguns segundos até que das pequenas gravuras cunhadas na runa era possível notar-se um diminuto brilho azulado surgindo. Logo esse brilho começou a ser perceptível nas gravuras do piso abaixo de seus pés, segundos depois, mais e mais destas pequenas gravuras começaram acenderem até que circulo interno da estrutura tronou-se iluminado por tais desenhos. Para muitos ali, aquilo era novidade, e observavam o acontecimento em volta da estrutura muito curiosos.

Como instruído o senhor Gonzalo organizou outros Aesir ao redor da grande estrutura, ele reproduziu o mesmo movimento de Laurence. Com isso o chão sob seus pés começou a iluminar-se da mesma forma. Após ele, mais seis membros experientes que estavam envolta do circulo reproduziram o movimento, fazendo mais seis círculos menores se iluminarem. A este ponto os que estavam sobre o círculo interior começaram a sentir algo mudando na atmosfera em vota deles.

Damião nunca tinha visto algo do tipo, a grande estrutura de pedra agora iluminada pelas complexas gravuras mostrava-se na verdade era uma imensa runa, a Ponte. O rapaz começou a sentir algo estranho no ar, os pelos de seus braços começaram a ficar em pé, mas não de frio, a energia que estava presente no mecanismo estava fazendo aquilo. Seu sangue começo a esquentar de maneira totalmente inacreditável, gerando um repentino desconforto e apreensão. Logo alguns estalos podiam ser ouvidos, diminutas faíscas começavam a surgir dos cortes que emanavam os feixes mais fortes de luz.

Laurence disse para todos:

- Bem, é agora! Prendam a respiração e tentem se equilibrar! – falou ofegante.

E com isso ele tirou a runa com o desenho de Nortglast e a inseriu em uma pequena cavidade bem no centro do circulo onde se encontravam, bem no centro de toda estrutura.

Após isso um grande clarão ofuscou a todos os presentes, forçando que fechassem os olhos ao mesmo tempo em que escutaram um estalo ensurdecedor como um trovão.

Cego pela luz e surdo pelo estrondoso som Damião sentiu seu corpo ser atravessado por uma forte corrente de energia, não sabia se estava caindo ou de pé, mas tentou de qualquer maneira segurar-se a o que ele não sabia. No segundo seguinte, sentia que algo estava diferente. Na verdade, muita coisa havia mudado ao seu redor em pouco menos que um piscar de olhos. Ainda estava de pé, mas seus olhos fechados ainda doíam da explosão luminosa, mas felizmente não sentia mais aquela estranha sensação. Sentia frio, muito frio. Sentia um vento gelado soprando contra sua face uivando ferozmente em seus ouvidos, sentia algo gélido chocando-se contra seu rosto juntamente com a ventania. O rapaz fez um breve esforço para abrir os olhos desnorteado, e logo viu o que se tratava aquilo que vinha junto com o vento, na verdade ele só sabia o que era por que havia lido a respeito em um livro a muito tempo atrás: Neve.

Capítulo 6 – Grandes Círculos - Fim.
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por moonlance em Seg Mar 11 2013, 18:25

Agora um comentário humorístico sobre Rune:

Se algo como a organização do Sedoc ocorresse num mundo de jogo de RPG, particularmente o AD&D (2ed), é interessante saber que um mestre rigoroso impediria que os jogadores, por mais experientes ou poderosos que fossem seus personagens, constituíssem essa 'brotherhood'. xD

Isso porque, nos próprios livros de regras do AD&D, se alertava aos jogadores (especialmente os mestres de jogo), para procurarem respeitar a idéia do que seria um mundo de fantasia medieval; ou seja, uma realidade baseado numa visão feudal de mundo, e não numa visão moderna de mundo; isso implica geralmente uma produção não abundante de bens, de modo que se por exemplo, um grupo de jogadores tivesse a genial idéia de criar em jogo uma guilda para produzir e vender poções mágicas com uma produção em massa, essa na verdade seria uma visão distorcida de habitantes de uma cultura de visão feudalista e medieval, e não seria verossímil para o universo do jogo, por mais tentador que fosse. xD O Sedoc, não preciso dizer, é por assim dizer, uma "fábrica de heróis ou mercenários". xD É um troço doido.

Bem, felizmente, esse apelo específico de cuidado de verossimilhança que existe no livro do AD&D, não se aplica necessariamente à ficção, e tampouco necessariamente se aplica aos próprios jogos de ficção, dependendo mais do grupo do que das regras.

Mas é uma passagem muito curiosa a do manual do AD&D, porque é comum jogadores terem esse tipo de idéia capitalista em universos de fantasia medieval (e quando não, inclusive, autores de histórias, como podemos notar bem! xD)

Mais engraçado ainda, é que a melhor campanha de AD&D que eu já joguei, acontecia justamente uma coisa dessa. xDDD O grupo obviamente não tinha lido com atenção suficiente os livros de regra; e talvez isso tenha sido bom no final das contas. xD Mas é importante termos a oportunidade de ter consciência disso.
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Mensagem por JP Vilela em Seg Mar 11 2013, 21:01

moonlance escreveu:Agora um comentário humorístico sobre Rune:

Se algo como a organização do Sedoc ocorresse num mundo de jogo de RPG, particularmente o AD&D (2ed), é interessante saber que um mestre rigoroso impediria que os jogadores, por mais experientes ou poderosos que fossem seus personagens, constituíssem essa 'brotherhood'. xD

Isso porque, nos próprios livros de regras do AD&D, se alertava aos jogadores (especialmente os mestres de jogo), para procurarem respeitar a idéia do que seria um mundo de fantasia medieval; ou seja, uma realidade baseado numa visão feudal de mundo, e não numa visão moderna de mundo; isso implica geralmente uma produção não abundante de bens, de modo que se por exemplo, um grupo de jogadores tivesse a genial idéia de criar em jogo uma guilda para produzir e vender poções mágicas com uma produção em massa, essa na verdade seria uma visão distorcida de habitantes de uma cultura de visão feudalista e medieval, e não seria verossímil para o universo do jogo, por mais tentador que fosse. xD O Sedoc, não preciso dizer, é por assim dizer, uma "fábrica de heróis ou mercenários". xD É um troço doido.

Bem, felizmente, esse apelo específico de cuidado de verossimilhança que existe no livro do AD&D, não se aplica necessariamente à ficção, e tampouco necessariamente se aplica aos próprios jogos de ficção, dependendo mais do grupo do que das regras.

Mas é uma passagem muito curiosa a do manual do AD&D, porque é comum jogadores terem esse tipo de idéia capitalista em universos de fantasia medieval (e quando não, inclusive, autores de histórias, como podemos notar bem! xD)

Mais engraçado ainda, é que a melhor campanha de AD&D que eu já joguei, acontecia justamente uma coisa dessa. xDDD O grupo obviamente não tinha lido com atenção suficiente os livros de regra; e talvez isso tenha sido bom no final das contas. xD Mas é importante termos a oportunidade de ter consciência disso.

Um detalhe que faz muito sentido Moon. xD

É engraçado o termo que você usou; uma "fábrica de heróis ou mercenários" xDDD

Mas vamos ver no que isso vai dar não é mesmo. Até por que eu ainda não escrevi uma passagem que descreve o que o Sedoc é exatamente, fui apenas soltando dicas. Bem e ainda não ficou evidente a real influência que o complexo exerce sobre a cidade na qual ele está estabelecido, na província a qual a cidade pertence, a colônia e no mundo. xD

Uma coisa que você frisou no comentário, é que esse tipo de organização seria difícil de existir em um sistema feudalista, nuca disse que Lyverith opera sobre um sistema feudal. Hhumm... não sei se deixar essa parte de geopolítica para ser apresentada mais tarde foi uma má ideia no final das contas. Mas por favor, continue comentando. Estou gostando muito da sua participação e opiniões. o/


* Vou pedir para ver se o Zinid tem o poder de mover esse comentário e o seu para o outro tópico.
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Re: Rune - Capítulos em "Beta" & Discussões sobre a história.

Mensagem por JP Vilela em Qua Mar 27 2013, 12:33

Então, ainda mantendo o ritmo de tartaruga de 1,5 partes/mês, vamos a coisas novas, e possivelmente, carentes de revisão. xD

Então, boa leitura. o/


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Rune - Capitulo 7 - Norglast - Parte 1

*Notas:

Neste meio tempo, resolvi alterar o sobrenome de um personagem. Laurence Giovane, agora se chama Laurence Keltham

Mudei mais uma vez o ultimo sobrenome de Damião DeValence, agora é Damião DeValence Aerrierf


Spoiler:
Além do fortíssimo choque de temperatura, o rapaz notou que também não estava mais em uma escura madrugada, era dia e nevava com ventos fortes. Enquanto tentava recuperar totalmente os sentidos e desacelerar seu coração que havia desparrado, olhava com a visão ainda turva, mesmerizado com o que havia metros a sua frente; uma enorme muralha. Não uma simples muralha grande, mas sim um paredão mais alto do que qualquer outra construção que ele havia visto em toda sua vida. A enorme fortificação tinha duas ou três vesses o tamanho da velha torre do sino da igreja que costumava escalar incansavelmente quando era mais novo lá em Lyverith. Construído com enormes blocos de rocha escura o muro se estendia de um lado ao outro, tão largo que não era possível dali medir sua extensão. Decorado em várias torres ao topo com grandes estandartes azuis escuros com o desenho da arvore de Norglast em branco. Depois de visualizar aquela imponente construção Damião correu os olhos para o chão, percebendo que estava sobre uma grande estrutura circular rúnica, idêntica as Pedras Fundamentais do Sedoc. Olhando para o horizonte a sua direita, via montanhas altíssimas, elevando-se aos céus e cobertas de branca neve, as maiores que o rapaz havia visto em suas duas décadas de existência.
- Ei, Dami? Tudo bem com você?
O rapaz ouviu a voz de Laurence, vinda de trás das suas costas , logo se virou e viu o amigo juntamente com Cásia e Gabriel Damon, todos um tanto encolhidos pelo repentino frio cortante que os fazia tremer quase que descontroladamente. Estavam exatamente nos mesmos lugares de segundos atrás, quando ainda estavam na colônia, nos fundos da propriedade do velho Armazém, e do Sedoc.

Damião não podia deixar de notar, ali sob as Pedras Fundamentais de Norglast, que seu pequeno grupo localizava-se na beirada de um planalto, encurralados pelas imensas muralhas as suas costas e com um gigantesco e íngreme desnível a sua frente, o qual ele não conseguia calcular a profundidade muito bem donde estava. Mas logo percebeu algo a mais além do abismo que, assim como a neve incessantemente que caia, ele nunca havia visto antes, um mar ao horizonte, ou ao menos era isso que ele conseguia concluir, pois após um ponto, não podia-se ver nada além do céu branco. Uma vista impressionante para alguém que pouco saiu de sua cidade natal, que ficava a muitos e muitos dias de viagem de qualquer volume de agua que não fosse rios e pequenos lagos.
- Claro que ele está senhor Kelthan. Está apenas... Embasbacado... Senhor Aerrierf, venha cá. - ordenou Cásia Damon.
A tesoureira do Sedoc tinha que falar alguns tons acima de sua voz normal para poder ser bem ouvida naquela forte ventania.
O rapaz obedeceu, aproximando-se da tesoureira enquanto fechava os botões que conseguia da frente de seu casaco.
- Olhe. Vejo os guardas de Norglast se aproximando, e só vou falar isso uma vez, então preste atenção.
- Diga... - falou Dami ainda perdido, fascinado pelo novo local.
- Preste atenção! – ordenou o puxando pela manga de seu casaco de couro.
- Estou prestando! – falou irritado o rapaz, agora a encarando de cara feia.
- Aerrierf... Não esse seu sobrenome, não use esse. Sua família não é querida por aqui - falou a mulher bem baixinho, mais perto da orelha do rapaz.
Ele apenas a olhou, agora se perguntando o que diabos isso significaria. Pelo visto ele não era o primeiro Aerrierf a pisar em neve. Virou-se para ver se o que a mulher falava era verdade, e de fato podia ver a distância cerca de meia-dúzia de pessoas saindo de um imenso portão da muralha. Damião voltou a encarar a sua superior:
- Entendido - falou ainda um tanto quanto irritado, mas agora intrigado com essa declaração.
- Ótimo - continuou Cásia agora aumentando o tom para algo mais imperativo e antipático - Então, senhor Kelthan, você está responsável pelo senhor DeValence - falou frisando o outro sobrenome do rapaz – Mas lembre-se eu estou no comando, serei eu, e apenas eu que falarei com os líderes daqui. Está claro?
- Sim madame... - falou Laurence com indiferença.
Gabriel Damon com as mãos enfiadas em seus bolsos apenas observava silenciosamente a conversa dos outros com sua mãe.
Não demorou para que aquela meia dúzia de pessoas se aproximassem do quarteto de mensageiros do Sedoc. Eram soldados, dava para ver isso claramente nas roupagens, armaduras, espadas e escudos que carregavam. Todos bem trajados para aquele frio, cobertos por grossas peles, capuzes e toucas de espeça lã. Um deles tomou a iniciativa e aproximou-se do grupo:
- Não houve notificação para o uso das Pedras Fundamentais. Identifiquem-se. – falou o senhor soldado, agressivamente fazendo o movimento de saque de sua espada.
Este guarda falava em outra língua, o escáldio o idioma do local.
Por conveniência, e também como um gesto de respeito, todos os Aesir eram instruídos a aprender a falar e escrever nesta linguagem. Um tributo ao povo de Norglast, os primeiros Aesir.
- Somos do Sedoc – respondeu Cásia na língua do soldado, retirando lentamente de seu bolso sua peça de prata com a insígnia do complexo subterrâneo, a qual era sua identificação para com os outros Aesir, tanto do Sedoc, como de outras partes do mundo.
A senhora Damon não via dificuldade em sequer ler, escrever ou falar o idioma local. Muitos dos documentos dos quais ela cuidava em seu ofício no Sedoc eram reportados para Norglast como relatórios, contas e outras variedades de papelada burocrática. Sendo assim, ela conseguiu praticar bastante até obter fluência, ainda mais auxiliada pelo seu falecido marido, natural desta terra gélida, que a ensinou grande parte das normas da língua.
- Sedoc? Mas quem é você minha senhora? – Perguntou o soldado enquanto os outros relaxavam suas posturas e embainhavam suas espadas.
- Sou Cásia Damon, tesoureira de lá. Esses são meus guarda-costas. Preciso falar com os seus superiores.
- Uma contadora? – indagou o guarda a julgando com superioridade - Mas por que você veio aqui? Por que não alguém com mais credenciais?
- Não está vendo? É uma emargência! O Sedoc foi atacado! – respondeu com impaciência.

- Como assim?
- Preciso falar com os seus superiores! – Insistiu a senhora Damon.
- Atacado pelo quê mulher? Inimigos? Os Vanir? Jotuns? – Esbravejou impaciente o guarda.
- Locke! O Aesir Decadente, ele nos atacou! – desembuchou.
O homem arregalou os olhos e encarou a senhora Damon por alguns segundos, engoliu seco e gesticulou para os seus colegas soldados retornarem para os portões.
- Está bem, mas por não terem credenciais, vão ser escoltados durante toda sua estadia em Norglast. Entendido?
- De acordo, mas vamos logo, estou congelando.
- Então sigam-me, por favor. – falou com autoridade.
Com isso o grupo de viajantes foi escoltado todo o caminho até os enormes portões da muralha. Lá, havia um guarnição com cerca de quinze homens mantendo guarda, todos notavam os estranhos se aproximando. Enquanto o grupo cruzava os portões, era possível ver algumas construções adiante, mas tudo estava apagado pela neve que caia.
- Bem vindos a Norglast. – falava o soldado assim que cruzaram a grande muralha negra - Vocês podem ficar aqui neste quartel, entrarei em contato com o Capitão Krosac, o líder da guarda deste distrito.

- Krosac? – falou Cásia sem reconhecer o nome - Não podemos falar com Ragnar Stenblood?

O soldado parou e a fitou mais uma vez com superioridade, prosseguindo falou:
- Caso a senhora não saiba... O General Ragnar está muito ocupado com a guerra que está sendo travada nas costas do sudeste. Acho que ele não está na cidade.

- Então certifique-se! Se o encontrar, diga que somos do Sedoc e que é urgente. – Interveio Damon.

IO
O soldado o encarou de maneira nada amigavel.

- Hhumm, tratando-se de assuntos com relação ao Aesir Decadente, farei este esforço, se isso for verdade é claro.
- Mas é claro que é verdade! Por que você acha que cruzamos a Ponte? – Intrometeu-se Dami, sem paciência.
- Silêncio vocês dois! – Ordenou Cásia - Por favor, procure Ragnar - suplicava ao guarda.
- Está bem, está bem...- este falava sem ânimo algum na voz.

E como proposto, o grupo ficou esperando no quartel, quase que como prisioneiros.

- Então... Láu, quem é Ragnar? – Perguntava Damião tentando puxar assunto.

O amigo o fitou balançando a cabeça negativamente.

- Ele é um dos dois Cavaleiros Rúnicos de Norglast. – falava enquanto esticava as mangas do casaco, encobrindo suas mão com frio - E pelo visto, agora é general de um exercito... Provavelmente ele é um dos poucos amigos do Sedoc por aqui.
Ambos conversavam baixinho, em lihtez o idioma de sua terra natal. Estavam um tanto quanto incomodados pelos constantes e nada amigáveis olhares dos guardas daquele lugar. Já fazia alguns minutos e estavam sendo constantemente observados por aqueles sujeitos fortemente armados.

- Mas e o real líder dessa cidade? O Grão Meste daqui... o tal do Ivan... – Continuava Dami com as perguntas .

- Você sabe o quanto era difícil falar Nacasiba, em um lugar “pequeno” como o Sedoc. Agora imagina falar com o Grão Mestre de uma cidade estado como essa... Hhumm... digamos que Ragnar Stenblood é a melhor pessoa para atender nossas necessidades, já que ele é bem influente e tal...


- Hhummm...

O grupo esperou por horas, a temperatura devia ter baixado ainda mais, já que agora uma nevasca recaia sobre o teto do quartel. Eles se reuniram ao redor da lareira do local, era frio demais para pessoas que passaram a vida inteira em um lugar de clima tropical.

-Então. Emissários do Sedoc... meus homens me informaram que estão aqui em busca de ajuda. O que foi que Aconteceu?

Perguntou um sujeito que havia acabado de adentrar no local, trajava roupas mais vistosas que os brutamontes enlatados que ali mentiam guarda. Entrou acompanhado do soldado que havia recebido o quarteto horas atrás nas Pedras Fundamentais e mais seis soldados da guarda civil.

- Locke nos atacou. – falou Cásia, o encarando seriamente.
- Ahn? – ria o sujeito.

- Ahn o que? É verdade.

- O Aesir decadente ressurge do esquecimento para fazer um atentado ao posto avançado tão pequeno quanto o seu? Lá do outro lado do oceano? O que ele ganharia com isso? – sorria parecendo ter ouvido uma piada.
- Ele sequestrou nosso Grão Mestre seu tolo!

- Ah sim, o velho líder mascarado de vocês. – Falou, agora parecendo mais sério.

Então, é verdade? O mestre Nacasiba foi sequestrado?
Esta frase foi proferida por uma voz grave e imponente voz masculina. Uma enorme figura adentrava o quartel general.
- Ragnar! – falou Cásia, parecendo animada pela primeira vez naquele dia.
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