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Pequena História de Amor

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Pequena História de Amor

Mensagem por Ari-chan em Sex Fev 03 2012, 12:23

Ainda tenho muita coisa para ler por aqui, mas farei isso com o tempo >3<

Uma pequena nem tão pequena assim. xD
Comecei a escrever no ano retrazado, durante as aulas do 3º ano, sem nenhum objetivo específico.

É história de colegial ambientada no Japão. Não fiz muita pesquisa nem coisas do tipo, então devem ter algumas coisas erradas, mas espero que não liguem muito pra isso. xD

E só esclarecendo, ela é contada por duas pessoas diferentes! (já teve gente que me perguntou se a menina era lésbica LOL)

Aproveitando o espaço do fórum, parte 1 e 2. =3
------------------

Urf, urf, urf, urf.
- Acho que...Finalmente cheguei...
Olhei pela primeira vez para aquele prédio imenso, cinza claro com grandes janelas de parapeito preto. Via os vários corredores, que o faziam parecer mais um labirinto, e as pessoas que andavam por eles sem se importar com quão grandes eles eram. Aquele prédio se erguia na minha frente, imponente, fazendo com que eu me sentisse uma formiga (sempre fui muito baixinha, para quem não sabe).
Caminhei para dentro daquele prédio sentindo os olhares curiosos das pessoas que também chegavam atrasadas como eu e me dirigi à sala que haviam me orientado no dia anterior. Conversei com um homem um pouco mais idoso e com uma fala lenta, calma, e ele me guiou para a sala após a conversa.
- Está será sua sala a partir de agora. Tratem-na bem.
Aproximadamente trinta cabeças estavam viradas na minha direção, reparando em cada detalhe meu. Senti meu rosto corar e odiei isso, como sempre. Então falei com todo o meu sotaque inglês:
- Muito prazer. Me chamo Lilith Ruphan. Espero que me tratem bem. – e me curvei, como é feito normalmente no Japão.
Ainda sentia olhares curiosos sobre mim enquanto caminhava e me sentava no fundo da sala, em uma das duas únicas cadeiras que estavam vazias. A aula começou, com aquele mesmo senhor com quem conversei, mas os olhares não pararam.

~//~

Fiquei totalmente sem reação quando vi aquele anjo entrando na sala, mudando totalmente a atmosfera entediante do lugar. Aqueles olhos azuis como o céu olhavam para todos com certo medo de serem rejeitados, e aqueles cabelos amarelos reluzentes como o ouro ofuscavam qualquer outra coisa do lugar. Quando ela se apresentou, sua voz doce e melodiosa me encantou como o canto de uma sereia, e seu nome foi para mim a coisa mais perfeita que eu poderia ter ouvido em um dia como aquele, ainda mais sendo pronunciado por aquela encantadora voz.
E ela passou ao meu lado enquanto caminhava rumo ao seu acento e eu pude sentir o perfume de rosas me embebedando e me fazendo flutuar. Não me lembro de mais nada a não ser observá-la, com a cabeça encostada na mesa até me baterem com algo bem sobre o meu ouvido.

~//~

A aula só foi interrompida uma vez pelo professor, para colocar um menino que estava dormindo para fora de sala. Ele parecia tão distraído que nem conseguia responder direito ao professor. Era aquele tipo rebelde, que se vestia de forma largada e parecia não ligar muito para os outros. Apesar disso, era bonitinho. Depois disso, correu tudo normal.
Ao final da aula, algumas meninas vieram conversar comigo, perguntando o mesmo de sempre: “De onde você veio?”, “Por que veio para cá?”, “Como é a Inglaterra?”, e coisas do tipo. Sempre respondia tudo, afinal, já tinha essas respostas praticamente decoradas de tanto me mudar, mas algo me chamou a atenção. Não só de mim, como delas também. O menino voltava para a sala, rindo com os amigos.
- O que deu em você hoje, Iku?
- Só estava distraído. – ele riu um pouco. Tinha uma voz bonita.
- Seeeeei, pensando naquela atriz de novo, né! – seu colega lhe deu um soquinho no braço.
- Não, claro que não! – e ele revidou.
As meninas que estavam comigo vão falar com ele, me pedindo licença.
- Ichinose-kun, vai ficar tudo bem? – uma delas perguntou.
- Mas é claro! Por que não ficaria? – ele deu um sorriso de olhos fechados e, quando abriu, estava olhando para mim.
Ele deu outro sorriso enquanto olhava para mim e caminhou na minha direção.

~//~

Ahg, aquele velhote! Não precisava ter me batido daquela maneira. Meu ouvido ficou parecendo entupido por muito tempo depois daquilo. No fim da aula ele conversou comigo e disse o que eu já sabia e já havia ouvido muito quando era mais novo. Nem liguei muito. Entrei de novo na sala com aqueles garotos me sacaneando. Ia entrar no jogo, mas vi os olhos azuis do anjo ficados em mim. Sorri e caminhei até ela.
- Olá, moça imigrante. – nome... Como era mesmo? – Está gostando daqui?
- Sim. Ainda há muitas cosas para... Opa! Coisas para me acostumar...
Como foi que ela disse?
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! – idiota! Por que riu?!
Não vi direito, já que estava rindo, mas vi que ela ficou vermelha de vergonha, se levantou e saiu da sala. Ainda assim, não consegui parar de rir, assim como outras pessoas que estavam perto. Fui me sentar ainda rindo.
Sim, eu fui um idiota.

~//~

O que foi aquilo? Ele não precisava ter rido tanto e tão alto só porque falei uma palavra errada!
O outro professor chegava e eu precisava entrar. Mas que vergonha! Entrei mesmo sem querer, já que matar aula não era o tipo de coisa que eu fazia, e me sentei.
Percebi que ele passou a aula inteira olhando para mim. Ichinose... Não era diferente de todos os outros garotos que conheci. Não perdia a oportunidade de envergonhar uma recém-chegada.
Depois disso, correu tudo normal... Até o almoço.

~//~

Durante a aula eu percebi o quão idiota tinha sido ao rir dela e não consegui desviar os olhos, por mais que tentassem chamar minha atenção. Sentia meu coração apertar, me sentia culpado... Ruphan! Lembrei o nome! Agora não esqueceria mais, mesmo que quisesse. Iria também tentar começar de novo com ela.
As aulas passaram tão rápido que nem percebi quando quase toda a turma saiu da sala para o almoço, inclusive ela. Como, se eu estava olhando para ela o tempo todo? Não vi para onde ela havia ido. Me levantei e comecei a procurá-la.

~//~

Quando o sinal do almoço tocou, o que mais ouvi foram garotos me chamando de “cosas” e rindo de mim. Me sentia triste e indignada. Que tipo de pessoas são essas que ano que vem vão tentar a prova da universidade?
Também me levantei. Não pretendia ouvir esse tipo de coisa durante o intervalo, então fui para o telhado. Sempre fui curiosa para ficar em um telhado de escola japonesa. É simples, eu sei, mas sempre gostei.
O lugar estava vazio e silencioso, perfeito para um almoço. Me sentei, olhando para a cidade e abrindo meu obento, e comecei a almoçar. Mas a calma não durou muito.

~//~

Corria pelos corredores atrás dela, procurando-a por todos os cantos, mas não a via. Só ouvia os garotos da minha turma comentando com garotos de outras turmas sobre Ruphan-san ter falado errado. Mas eu não podia deixar assim.
- Será que dá pra vocês pararem de falar sobre ela desse jeito? – parei para falar com eles.
- Qual é, Iku, foi você que começou, não?
- Eu sei, mas não devia ter feito isso, então dá pra parar? – e continuei a procurando.
Só ouvi eles comentando:
- Ih, olha lá... – e riram.
Nem liguei. Depois de andar por quase a escola toda, já começando a ficar desesperado, pensei no telhado. Era o único lugar onde não tinha ido ainda. Ela só podia estar lá! Corri. E lá estava ela.
Ela me olhou logo que eu entrei no lugar, como se eu estivesse violando seu santuário. Primeiro foi surpresa, depois algo que parecia desprezo. Foi como uma facada em meu coração. Ou será que foi impressão minha?
Respirava fundo,ainda arfando por causa da corrida, me aproximando dela, e apoiei as mãos em meus joelhos quando fiquei em sua frente.
- Queria me... Me desculpar... Não comecei direito... – respirei fundo. – Prazer. Sou Iku Ichinose. Me desculpe por hoje mais cedo. – e me curvei.
Estava de olhos fechados e esperava pelo pior, mas ouvi sua voz angelical me dizendo:
- Prazer. Está desculpado.

~//~

Aquele garoto me surpreendeu entrando de repente no telhado. Ele iria me ridicularizar de novo? Não estava a fim de descobrir. Olhei para ele com certo desprezo, me preparando para o que ele fosse dizer. Ele pareceu perceber meu olhar, mas ainda assim se aproximou de mim.
- Prazer, sou Iku Ichinose. Me desculpe por hoje mais cedo. – e se curvou.
Não era o que eu esperava. Não mesmo. Mas ele falou tão seriamente que não dava para duvidar de suas intenções. Ele parecia diferente das pessoas daquela escola. Apenas sorri e respondi:
- Prazer. Está desculpado.

~//~

Quando abri os olhos, vi aquele rosto angelical sorrindo para mim. Acho que nunca me senti tão feliz na minha vida. Naquele momento, eu parecia flutuar.

~//~

Ele parecia ter ficado feliz com minha resposta pelo jeito que seus olhos pareceram brilhar. E já foi se acomodando, se sentando ao meu lado.
- Você não sabe falar o japonês muito bem? – ele puxou conversa. Parecia querer começar mesmo de novo.
- Não tive muito tempo para treinar antes de me mudar. – o respondia enquanto terminava meu almoço.
- E porque se mudou para cá?
- Meu pai vai precisar passar um tempo aqui no Japão.
- Ele é aquele grande empresário inglês de que todos estão falando?
- Sim, é ele mesmo.
- Uaaaaaau! – ele quase me interrompeu nessa hora. – Ele é muito famoso por aqui! Todos gostam dos carros dele! E você vai assumir a empresa depois de se formar aqui?
Não achei que ele iria se empolgar tanto. Ele se aproximou de mim naquela hora, apoiando as mãos no chão e jogando o corpo para perto do meu.
- Não. A emprenza vai ser do meu irmão... Ops! – errei de novo? Coloquei a mão na boca depois que percebi, e olhei para ele.
Ele segurava o riso. Também estava com a mão na boca.
- O que há de tão engrachado? – reclamei com ele e nem percebi que havia errado de novo.
A essa altura, já havia terminado meu almoço.
- Desculpe... Ha ha... Não é comum ouvirmos alguém da nossa idade... Ha ha... Falando errado... Ha ha ha!
Ele ainda tentava não rir, mas não estava conseguindo.
- Me desculpe então. – já ia me levantar quando ele tocou em meu ombro. Senti o calor de sua mão.
- Não precisa se desculpar. – ele sorria. – Posso te ajudar, se quiser.
- Claro! – e sorri de volta.

~//~

Mas que menina fofa! Ruphan-san era muito mais fofa que qualquer menina da classe, além de todas as outras qualidades. E ela parecia uma criancinha quando falava errado, o que fez com que eu me sentisse ainda mais culpado por ter rido dela daquela maneira.
- Posso te ajudar, se quiser.
- Claro!
Aquele sorriso de felicidade que ela deu seria capaz de me alegrar por um ano inteiro.
O sinal tocou logo depois disso e voltamos juntos para a sala, mas quando chegamos lá, algo nos surpreendeu. Sobre a mesa dela havia um bilhete enorme e com letras bem legíveis:
“Aprenda a falar antes de vir para cá.”
Que tipo de tratamento era esse com alguém que havia acabado de chegar?
- Quem fez isso? – olhei em volta, mas todos olhavam em nossa direção sem dizer nada.
- Não ligue para isso, Ichinose-kun. – meu nome pareceu o melhor nome do mundo sendo pronunciado por aquela voz... Depois do dela, claro.
Ela apenas dobrou o papel com cuidado e o jogou no lixo. Estava tão linda...
- Certo. Até mais. – e voltei ao meu lugar.

~//~
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Re: Pequena História de Amor

Mensagem por Midori em Sex Fev 03 2012, 19:00

É fofinho xD~
Mas a parte interessante é a jogada de pensamentos dos personagens. Ficou um pouco confusa em alguns momentos. Mas, ainda sim, se conseguir explorar vai conseguir um resultado muito legal!

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Re: Pequena História de Amor

Mensagem por Ari-chan em Ter Fev 14 2012, 12:53

Brigada pelo comentário, Mi! *-*

Sobre os dois personagens narrando, nunca tinha feito nada parecido com isso. Achei a ideia interessante e resolvi tentar.

Como não revisei nem nada antes de postar (já devo ter dito isso), deve mesmo ter uns errinhos e estar um pouco confuso, mas quem sabe um dia eu não acerte. xD

Sei que não apareço muito por aqui, mas gostaria de saber o que estão achando. ;3;

Parte 3 e 4! \o/
------------------------------

“Meu primeiro dia foi melhor do que eu esperava.”, eu pensava enquanto voltava caminhando para casa. Eu devia ser a única da escola a voltar à pé. Todos os outros tinham chauffeurs para leva-los para casa. Mas eu não ligava para isso.
Cheguei ao apartamento de cobertura em que morávamos e troquei logo de roupas. Meu irmão estava no quarto dele e, como sempre, eu não deveria atrapalha-lo.
Assisti um pouco de televisão até meu pai chegar em casa para jantarmos.
- Como foi seu dia na escola? – perguntou meu pai ao meu irmão, sempre muito sério.
- Ótimo, pai. Não tive problema algum.
- E você, Lilith, não causou nenhum problema?
- Não, pai. – respondi.
- Ótimo.
Meu pai continuou a conversar com meu irmão sobre a escola e não me dirigiu mais a palavra. Ao terminar o jantar, apenas fui para o quarto estudar um pouco antes de dormir. Nada de “boa noite”.
Mais um dia comum em casa.

~//~

Pelo que eu saiba, anjos normalmente ajudam as pessoas, mas dessa vez foi o oposto. Passei a noite acordado, só pensando nela... Eu não precisava sonhar essa noite, estava sonhando sem dormir. Mas foi muito bom.
Cheguei na escola bocejando muito, cumprimentando as pessoas ainda de boca aberta, e tive a melhor visão do mundo para aquela situação: O anjo parado de pé na entrada da escola, trocando seus sapatos. Cheguei até ela bocejando novamente.
- Bom diiiiiia, Ruphan-san.
Ela pareceu amassar alguma coisa na mão, talvez um papel. Será que era mais uma daquelas ameaças desrespeitosas?
- Bom dia, Ichinose-kun. – ela calça seus sapatos depois de falar comigo. – Não dormiu bem?
Também trocava meus sapatos.
- Na verdade, não dormi nada.
- Culidado para não dormir na aula novamente.
- Pfff. – ainda não conseguia deixar de rir quando a ouvia falar errado, apesar de ter treinado tanto em casa. – Cuidado... Depois dessa eu fico acordado o resto do dia!
- Eu não falei tão errado assim! – seu rosto estava corado de surpresa e vergonha, misturando também um pouco de raiva. Não importava como, estava linda. – Obrigada. – ela olhou para baixo e pareceu repetir a palavra várias vezes para si mesma.
- Eu disse que ia te ajudar, não é? – nessa hora já caminhávamos para a sala.

~//~

Ichinose-kun me pegou de surpresa enquanto eu olhava para aquele outro bilhete no meu armário de sapatos.
“Vá embora!”
Amassei o bilhete na hora, mantendo-o escondido na minha mão, mas ele pareceu não ter percebido. Melhor assim. Não queria envolve-lo em meus problemas.
Conversamos enquanto caminhávamos para a sala e não nos demoramos a ir para nossos lugares. Não havíamos chegado tão cedo assim, afinal. Logo que me sentei, as meninas do dia anterior vieram falar comigo.
- Ruphan-san, tome cuidado com o Ichinose-kun. Todos dizem por aí que ele é filho do líder da Yakuza. – elas sussurraram para mim, depois desconversaram um pouco, tentando disfarçar o que disseram, e logo saíram.
Não que eu devesse confiar no que elas diziam, havia conhecido todos há apenas um dia, mas ele era o único que estava me tratando bem, comparado a outras pessoas. Ele tinha uma aparência meio rebelde, mas Yakuza? Ele teria mesmo ligação com a Yakuza?

~//~

- HAHAHAHAHAHAHA! Já falaram isso para você? Achei que era um boato esquecido!
Estávamos almoçando no telhado de novo quando ela me perguntou se eu fazia parte da Yakuza. Nessa escola só tem fofoqueiros!
- Isso foi um rumor que começou no ginásio porque eu era meio violento. E eu até achei interessante, então acabei deixando isso pegar. Mas achei que tinham parado de falar sobre isso.
- Violento?
- É. Sempre me metia em brigas. E era bem mais largado que hoje. – ela parecia interessada no que eu estava contando, e isso me alegrou.
- Mas você é mesmo filho do líder? – ela pareceu me imaginar em alguma situação antes de perguntar.
Sorri, brincalhão.
- Sim e não.

~//~

Fiquei muito mais tranqüila quando Ichinose-kun me falou que era só um rumor, mais uma coisa que eu sabia que tinha muito em escolas japonesas. Depois que ele falou, dei uma olhada melhor nele, e ele parecia mesmo bem largado, comparado aos outros meninos que eram vistos pela escola.
Seu cabelo era bagunçado, de um castanho bem escuro, e um pouco longo, com as pontas mais claras. Se sentava de forma relaxada, mas não a ponto de incomodar alguém por isso. A camisa não estava totalmente abotoada e a gravata estava frouxa. O paletó da escola estava totalmente aberto. Usava também uns colares com cruz e tinha as orelhas furadas, que era o que lhe dava a aparência rebelde. Tinha o rosto bem definido, mas não muito rude, assim como o corpo, ou pelo menos o que eu podia ver dele. Pela primeira vez eu vi como ele era realmente bonito.
- Mas você é mesmo filho do líder?
Ele sorriu para mim, mas me pareceu mais um desafio do que um sorriso.
- Sim e não.
- Como assim? Dercida-se!
Ele deu um leve peteleco na minha testa.
- É “decida-se”. Mas não se preocupe, mais para frente você vai saber.

~//~

Várias semanas já haviam se passado desde que Ruphan-san chegou na escola e eu percebia a cada dia mais que era recebia outros tipos de ameaças. Todos os dias, na verdade. Em um dia ela chegou atrasada e com o uniforme de ginástica. Disse que havia molhado o uniforme sem querer e teve que coloca-lo para lavar, mas não foi isso que me pareceu. Queria fazer alguma coisa para ajuda-la, mas não tinha idéia de quem fazia essas coisas. Tudo que podia fazer era continuar a ser amigo dela, já que eu parecia ser o único. E continuar pensando.
No almoço daquele dia eu subi um pouco mais tarde por causa da educação física e ela estava lá no telhado, olhando para a cidade ao invés de comer como sempre fazia, perdida em pensamentos. Seu obento não estava com ela. Que bom que eu havia compra do uns pães a mais no refeitório.
- Ruphan-san?
Ela se virou subitamente para mim, parecendo assustada. Chorava. Olhava para ela e era como se eu sentisse toda a tristeza do mundo. O choro e a tristeza não combinavam com um anjo como ela. Praticamente me joguei em sua frente.
- O que aconteceu? – coloquei os pães no chão e, com minhas mãos livres, segurei levemente seus ombros.
Ela secava o rosto com as costas das mãos e respirava fundo para conseguir falar.
- Eu tentei ignorar até hoje... Todas as ameaças e... Humilhações... Mas cheguei na sala hoje e... Minhas coisas estavam... Todas molhadas... – ela soluçava enquanto falava.
Não consegui me segurar nessa hora e a abracei, querendo conforta-la. Nessa hora, não me importava com etiquetas, queria apenas que ela parasse de sofrer. Queria ver seu sorriso de novo. Ela também não se importou e retribuiu o abraço. Senti ela se segurando em minha roupa enquanto voltava a chorar, só que agora em meus braços.
- Calma. Eu vou cuidar disso, pode deixar. É melhor você falar com seu pai também...
Ela balançou a cabeça negativamente de forma muito determinada enquanto ainda se segurava em mim, depois de afastou um pouco.
- É melhor deixar meu pai fora disso. Ele... Não vai ajudar...
- Tem certeza?
Ela confirmou. Já não chorava tanto, mas seus olhos estavam bem vermelhos.
- Ainda assim, deixe comigo.

~//~

Nunca alguém tinha sido tão carinhoso comigo. Me passou confiança, calma. Me senti segura.
Depois que me acalmei, ele dividiu seu almoço comigo e ficamos conversando.
- Depois te empresto a matéria. – ele ofereceu, gentil.
- Você tem a matéria toda?
- Claro que tenho! Posso dormir em muitas aulas, mas sempre pego a matéria depois!
- Não acredito.
- É verdade! – ele chegou a se levantar, indignado.
Estava tão fofo.
Comecei a rir na hora. Ele ficou tão engraçado, se levantando daquela forma... Não consegui me segurar.
- O que foi?
- Você ficou tão indignado... Hahaha... Tão fofo!
Olhei para ele. Ele havia virado o rosto para o lado e tentava tampa-lo, mas era possível ver que estava totalmente corado.
O sinal tocou e ele logo voltou ao normal.
- Ruphan-san, vamos?
Me levantei e olhei para ele, sorrindo.
- Pode me chamar de Lilith.

~//~

Passei o resto das aulas distraído, lembrando do riso dela, de como ele me deixou feliz, radiante, e quente, por dentro. Meu coração disparou na hora em que ela falou que eu poderia chama-la pelo nome. Lilith... Será que conseguiria?
Ela estava me encantando. Quando estava perto dela, me sentia estranho. Meu coração disparava só de olha-la.
No final das aulas, fui falar com ela novamente, deixando meu material sobre minha cadeira.
- L... Lilith, você vai embora a pé, não é? – demorou para sair e eu gaguejei um pouco, mas eu consegui!
- Sim. – ela me olhou de forma natural. Linda aos meus olhos.
- Posso te acompanhar hoje?
- Pode sim. – ela pareceu confusa.
- Só tenho que resolver um assunto com o diretor, mas não demoro.
- Está bem. Devo ficar aqui por mais um tempo. – e ela caminhou em direção à janela, onde havia uma bancada com seu material, que estava no sol para secar.
Saí da sala. Não pretendia demorar muito, não queria deixa-la esperando, então corri para a sala do diretor. Tive uma idéia, finalmente. Disse a ele que resolveria esse caso das ameaças contra Ru... Lilith e, com a influência que tinha, duvido que o diretor não fizesse algo. E a influência não tinha a ver com a Yakuza.
Não foi nada muito demorado e eu consegui que ele resolvesse a situação, como imaginava. Ele sempre me ajudou muito. Voltei logo para encontrar com Lilith na sala, mas ela já me esperava nas escadas com minha bolsa nas mãos. Ela havia arrumado o seu e o meu material. Um amor! Caminhei até ela, que me entregou minhas coisas.
- Obrigado. Secou tudo?
- Nem tudo, mas dá para levar para casa. Vamos?
Concordei, e ela começou a descer as escadas rapidamente.
- Não precisa ter tanta pressa. Não tem nenhum compromisso agora... Ou tem?
Ela se virou, parando no meio da escada enquanto eu ainda descia.
- É um constume meu.
Eu ri um pouco.
- É costu...
Nessa hora ela estava se virando para voltar a descer, mas pareceu ter tropeçado. A vi começar a cair. Tudo parecia acontecer em câmera lenta.
Instintivamente, larguei minha bolsa e saltei alguns degraus para chegar mais perto dela, firmando meu pé em um dos degraus mais abaixo do que ela estava e passando meu braço ao redor da cintura dela. Lutei por um segundo contra a gravidade, sentindo seu corpo pesar em meu braço enquanto usava o outro para me segurar no corrimão e garantir que não iríamos cair novamente. Ela se segurou firme em mim e eu a puxei para perto, mantendo-a equilibrada.
Passamos um tempo sem nos mexer, depois nos olhamos. Nossos rostos estavam próximos. Vi o dela corar.
- Você está bem? – perguntei. Senti aquele corpo de aparência frágil em meus braços. Parecia que ela iria quebrar se eu a soltasse ali.
Ela se segurava na manga do meu paletó.
- Sim. – ela disse baixo, desviando um pouco o olhar e corando mais.

~//~

Ele foi tão rápido ao me segurar. Realmente achei que fosse cair naquela hora e achei que ele fosse cair também. Não considerei que ele era mais forte que eu.
Senti aqueles braços carinhosos e fortes ao redor da minha cintura e meu rosto foi ficando quente, meu coração foi batendo mais rápido. Olhei para ele e o vi preocupado. Mas perto demais. Ele perguntou se eu estava bem e senti meu coração acelerando ainda mais. Desviei o olhar instintivamente.
Recolhemos nossas coisas, que estavam no chão, e descemos as escadas, saindo da escola em silêncio. Claro, depois dessa, desci com mais cuidado. Na porta da escola havia apenas um carro e um homem esperava encostado nele. Usava a roupa toda preta, mas um pouco mais informal: tinha uma jaqueta preta, assim como a calça, e uma camisa branca por baixo. Ichinose-kun foi falar com ele, de forma bem informal, e não demorou muito para o homem entrar no carro e ir embora.
- Era meu motorista. Disse a ele que iria a pé hoje. – disse ele ainda se aproximando.
- Vai mesmo comigo?
- Mas é claro!
Começamos a caminhar com calma, conversando. Ele pareceu ter esquecido o que aconteceu instantes atrás, já que agora falava sem vergonha, como fazia normalmente. Conversamos animadamente no curto caminho da escola até minha casa, e eu adoraria que essa caminhada não acabasse.

~//~

Fiquei deitado na minha cama olhando para o teto com a luz apagada. Não conseguia parar de pensar nela. Revia seu sorriso, seu olhar, lembrava de seu cheiro... Fechava os olhos para senti-lo e logo os abria novamente.
Me lembrei da caminhada depois da escola, de como meu coração ficou disparado durante todo o caminho, e de achar que não conseguiria disfarçar meu nervosismo. Lembrei também de quando cheguei na frente de seu prédio, um prédio de mais ou menos vinte andares, onde a cobertura parecia ter um pequeno jardim com muitas árvores. Ela parou, parecendo um pouco triste, e disse que era ali que morava. Peguei meu caderno e entreguei a ela, tendo uma ideia.
- L... Lilith... – ainda sentia vergonha de chamá-la pelo primeiro nome. – Você ainda não conhece muito bem a cidade, não é?
Ela pareceu corar um pouco.
- Sim.
- Vou andar um pouco com os amigos amanhã. Quer vir também?
A vi ficar totalmente vermelha e sem reação por um tempo. Me senti quente por dentro.
- Vamos, vai ser divertido! – insisti.
- Está bem. Eu vou.
Sorri. A alegria me tomou totalmente, mas ainda assim pude perceber um carro parado na entrada da garagem do prédio. Não via quem estava dentro, mas parecia olhar para a gente.
- Posso passar aqui amanhã depois do almoço para te buscar.
Ela concordou com a cabeça, sorrindo. O carro entrou, assim como ela, e eu fui para casa. Passei o dia todo pensando nela.

~//~
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Re: Pequena História de Amor

Mensagem por Midori em Ter Fev 14 2012, 13:43

Que bonitinho XD!

Quero ver a continuação XD

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